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Tecnologia e Luto: Como a Inteligência Artificial Está Resgatando Memórias na China

O Festival de Limpeza dos Túmulos na China está testemunhando uma nova abordagem para homenagear entes queridos falecidos: a utilização da inteligência artificial (IA) para criar avatares digitais. Enquanto este evento anual reúne milhões nos cemitérios em todo o país, uma tendência emergente está possibilitando a “ressurreição” digital dos que se foram.

Um exemplo notável é o caso do cantor taiwanês Bao Xiaobai, que, após a perda de sua filha em 2022, recorreu à IA para trazer de volta sua voz em um comovente vídeo publicado em janeiro deste ano. Usando apenas uma breve gravação de áudio dela, Bao dedicou mais de um ano para explorar tecnologias de IA até conseguir criar uma representação digital emocionalmente poderosa de sua filha.

Essa prática reflete o crescente desenvolvimento da indústria de IA na China, avaliada em 12 bilhões de yuanes em 2022 e com projeção de quadruplicar até 2025. Parte desse avanço é impulsionada pela crescente demanda por avatares digitais em várias áreas, incluindo transmissões ao vivo, onde os indivíduos utilizam clones digitais de si mesmos para promover produtos e interagir com o público.

No entanto, nem todos veem com bons olhos essa nova forma de homenagem póstuma. Recentemente, a família do falecido cantor Qiao Renliang expressou indignação após sua imagem ser utilizada para criar conteúdo digital sem consentimento. Essa situação levanta questões éticas sobre a criação de avatares digitais de pessoas falecidas e o impacto emocional que isso pode ter em seus entes queridos.

À medida que os enlutados continuam a explorar novas formas de manter viva a memória de seus entes queridos na era digital, é provável que surjam mais debates sobre os limites éticos e legais dessa prática. Enquanto isso, a tecnologia de IA continua a oferecer novas possibilidades, desafiando as fronteiras entre o mundo físico e o digital.

Fonte: The Guardian, adaptação

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