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Professor da FGV aponta visão dicotômica dos militares sobre civis

Em uma análise contundente, o antropólogo Celso Castro, professor da Fundação Getúlio Vargas e especialista em estudos militares, destaca a percepção dos militares sobre os civis, descrevendo um mundo fechado onde os militares se veem como superiores aos civis. Essa visão, enraizada em uma formação endógena e hierárquica, tem impulsionado o retorno dos militares à política nas últimas décadas.

Segundo Castro, os militares vivem em um universo isolado, acreditando na superioridade de sua organização em relação à suposta desordem e corrupção do mundo civil. Esta dicotomia, enraizada pela endogenia das Forças Armadas, gera uma forte separação simbólica entre militares e civis, moldando suas identidades e percepções.

A maioria dos membros das Forças Armadas provém de famílias militares, frequentando escolas e instituições militares desde cedo. Essa endogenia cria um “círculo de giz” que separa os militares dos civis, os quais são vistos como estranhos, ou, nas palavras de Castro, como “personagens de ficção científica”.

Essa percepção de superioridade militar, aliada ao sentimento de “salvar a pátria”, levou os militares a se sentirem habilitados a intervir na política. A ênfase na classificação individual e na eficiência, características valorizadas no ambiente militar, contrasta com os valores e expectativas do mundo civil.

Para os militares, a formação recebida nas academias militares os prepara para qualquer missão, tornando-os menos corruptos e mais eficientes do que os civis. Essa visão é exemplificada na condenação do “colar” na academia militar, considerado um crime grave, em contraste com a percepção mais branda desse comportamento no meio civil.

Castro destaca que a atual geração de militares que ingressou na política é profundamente influenciada por essa visão de mundo fechado, o que tem impulsionado seu retorno à esfera política. A crença na superioridade militar e a desconfiança em relação aos civis alimentam o desejo de adquirir influência política e retornar ao poder.

Fonte: Pública
Imagem: Ilustração feita pela redação via DaLL-e 3

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