IA ‘salva-vidas’ detecta câncer de pâncreas em exames de rotina na China

Alibaba revoluciona detecção precoce com IA
Uma ferramenta de inteligência artificial (IA) desenvolvida por pesquisadores da gigante chinesa de tecnologia Alibaba está transformando a detecção precoce do câncer de pâncreas. O sistema, chamado PANDA (detecção de câncer de pâncreas com inteligência artificial), já está em uso no Hospital Popular Afiliado da Universidade de Ningbo, no leste da China, desde novembro de 2024.
Como funciona o PANDA?
O PANDA foi treinado para identificar sinais de câncer de pâncreas em tomografias computadorizadas sem contraste, exames que, embora utilizem menor quantidade de radiação, oferecem imagens menos detalhadas, dificultando a identificação de anomalias pelos radiologistas. A IA compensa essa limitação, analisando as imagens com precisão surpreendente.
Resultados impressionantes
Desde o início dos testes, o PANDA analisou mais de 180 mil tomografias e ajudou a detectar cerca de duas dúzias de casos de câncer de pâncreas, 14 deles em estágio inicial. Segundo o Dr. Zhu Kelei, chefe do departamento de pâncreas do hospital, a ferramenta identificou 20 casos de adenocarcinoma intraductal, o tipo mais comum e agressivo de câncer de pâncreas.
Um dos casos emblemáticos é o de Qiu Sijun, um pedreiro aposentado de 57 anos. Após um check-up de rotina para diabetes, a IA sinalizou sua tomografia, permitindo a detecção precoce de um tumor. “Acho que se pode dizer com 100% de certeza que a IA salvou a vida deles”, afirmou o Dr. Zhu.
Reconhecimento internacional
Em abril, a Alibaba anunciou que o PANDA recebeu o status de “dispositivo inovador” da Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos, o que acelerará sua avaliação e possível lançamento no mercado americano. A ferramenta também está sendo submetida a diversos ensaios clínicos na China.
Desafios e ceticismo
Apesar dos resultados promissores, pesquisadores alertam que são necessários mais dados do mundo real para confirmar a eficácia da ferramenta e mitigar os riscos de falsos positivos e exames desnecessários. Alguns especialistas também questionam se tomografias sem contraste podem fornecer informações tão valiosas quanto outras formas de imagem.
Como a IA foi treinada?
Para superar as limitações das tomografias sem contraste, os engenheiros da Alibaba alimentaram a IA com tomografias com contraste de mais de 2.000 pacientes com câncer de pâncreas, indicando a localização exata das lesões. Em seguida, mapearam algoritmicamente essas lesões para as tomografias sem contraste dos mesmos pacientes, permitindo que a IA aprendesse a detectar o câncer mesmo em imagens menos detalhadas.
Implicações e futuro
O sucesso do PANDA em Ningbo trouxe novos desafios, como a necessidade de mais pessoal para contatar todos os pacientes que precisam de acompanhamento e a modernização do hardware do hospital para lidar com a grande quantidade de dados gerados pela IA.
Apesar dos desafios, a tecnologia tem o potencial de revolucionar a detecção precoce do câncer de pâncreas, especialmente em regiões com escassez de especialistas. A Dra. Diane Simeone, cirurgiã de pâncreas da Universidade da Califórnia em San Diego, reconhece que a ferramenta pode ser um recurso valioso para hospitais com poucos especialistas.
Da redação do Movimento PB.
