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Denúncia de Assédio Sacode o STJ: Ministro Buzzi é Afastado

Denúncia de Assédio Sacode o STJ: Ministro Buzzi é Afastado
Denúncia de Assédio Sacode o STJ: Ministro Buzzi é Afastado

Um escândalo de proporções alarmantes abala os corredores do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O ministro Marco Aurélio Gastaldi Buzzi, de 68 anos, está sob investigação por uma grave denúncia de assédio sexual contra uma jovem de 18 anos. O caso, que teve os primeiros detalhes divulgados pela revista VEJA, levou ao afastamento do magistrado e desencadeou uma série de apurações em diversas instâncias do Judiciário brasileiro.

O Relato Que Chocou a Corte

A rotina de tranquilidade e formalidade do STJ foi drasticamente interrompida no início de janeiro, quando um grupo de ministras procurou o presidente da Corte, Herman Benjamin. Elas levaram a ele a chocante história de uma denúncia de assédio sexual envolvendo o colega Marco Aurélio Buzzi. A acusação partiu de uma jovem, filha de uma advogada atuante no tribunal e amiga das próprias ministras.

O depoimento da vítima à Polícia Civil de São Paulo descreve uma relação de confiança anterior: a jovem via o ministro Buzzi como uma figura quase paternal, um “avô e confidente”, frequentando o STJ desde criança. Em férias na Praia do Estaleiro, em Santa Catarina, na casa do próprio ministro, a relação de aparente proximidade tomou um rumo inesperado e perturbador.

Detalhes da Acusação: Praia do Estaleiro

Segundo o relato, os primeiros sinais de um comportamento inadequado surgiram quando Buzzi questionou a sexualidade da jovem. O incidente central ocorreu em 9 de janeiro, quando, após a mãe da jovem e a esposa do ministro ficarem na casa, a garota foi à praia apenas com o magistrado. Buzzi sugeriu que fossem a uma área mais isolada, a cerca de 400 metros do condomínio.

Na água, as investidas teriam escalado. O ministro teria puxado a jovem, virando-a de costas para si, e pressionado seu quadril e nádegas contra seu corpo, enquanto proferia comentários sobre sua beleza. A tentativa de fuga da vítima foi frustrada por uma nova investida, quando Buzzi teria passado a mão em suas nádegas. Ao sair da água, a garota foi advertida pelo ministro de que sua “sinceridade” poderia prejudicá-la, sem especificar como.

Imediatamente após o ocorrido, a jovem contou aos pais, que deixaram a residência do ministro. Desde então, a vítima tem sofrido de insônia e pesadelos constantes, evidenciando o trauma psicológico profundo causado pelo episódio.

Repercussão e Afastamento no STJ

Diante da gravidade das denúncias, Herman Benjamin convocou uma sessão extraordinária no STJ. Presente em parte da reunião, o ministro Buzzi ouviu a leitura do boletim de ocorrência e apresentou sua defesa, admitindo ter entrado na água com a jovem e que ela chorou, mas alegando não saber o motivo. Ele negou o assédio, justificando que “a praia estava cheia”.

Sentindo-se sem condições psicológicas para continuar, Buzzi deixou a reunião, informando que se afastaria voluntariamente dos trabalhos no STJ, atendendo ao desejo da maioria da Corte. Uma sindicância foi aberta, e três ministros – Raul Araújo, Isabel Gallotti e Antonio Carlos Ferreira – foram sorteados para investigar o caso e determinar se a punição de aposentadoria compulsória seria cabível.

Investigações em Múltiplas Frentes

O caso do ministro Buzzi não se restringe apenas ao STJ. Ele também é alvo de investigação no Supremo Tribunal Federal (STF), sob a relatoria do ministro Nunes Marques. No Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o processo está sob a responsabilidade do corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell, que já coletou depoimentos da jovem e de sua mãe.

Em nota, Marco Aurélio Buzzi declarou ter sido “surpreendido” pelas acusações, negando “ato impróprio”. A defesa da jovem, por sua vez, exige rigor nas apurações e a devida responsabilização perante os órgãos competentes, buscando a preservação da vítima e sua família diante do “gravíssimo ato praticado”.

Da redação do Movimento PB.

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