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Ex-chefe de gabinete de prefeito presa: R$ 70 milhões e elo com CV

Ex-chefe de gabinete de prefeito presa: R$ 70 milhões e elo com CV
Ex-chefe de gabinete de prefeito presa: R$ 70 milhões e elo com CV

Manaus é palco de um escândalo que abala as estruturas políticas e de segurança pública. Anabela Cardoso Freitas, ex-chefe de gabinete do prefeito David Almeida e atual integrante da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus, foi presa na última quinta-feira, 20 de fevereiro de 2026, em uma operação de grande porte que desvendou um esquema milionário de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro com fortes ligações com o Comando Vermelho (CV).

Operação Erga Omnes: Desvendando o “Núcleo Político” do CV

A “Operação Erga Omnes”, deflagrada pela Polícia Civil do Amazonas, tem como alvo um complexo grupo criminoso que, desde 2018, movimentou cerca de R$ 70 milhões. A investigação aponta que Anabela Cardoso Freitas é peça-chave neste esquema, suspeita de utilizar empresas de fachada para a aquisição de entorpecentes diretamente da Colômbia, que eram então distribuídos na capital amazonense.

O alcance da operação vai além, mirando o que as autoridades chamam de “núcleo político” da facção. Entre os 14 detidos, oito no Amazonas, há servidores do Tribunal de Justiça do Amazonas e ex-assessores parlamentares, indicando uma profunda infiltração do crime organizado nos mais altos escalões dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. A capilaridade da rede criminosa é evidenciada pela execução de mandados de prisão e busca e apreensão em diversos estados, incluindo Pará (Belém, Ananindeua), Minas Gerais (Belo Horizonte), Ceará (Fortaleza), Piauí (Teresina) e Maranhão (Estreito).

Quem é Anabela Cardoso Freitas?

Anabela Cardoso Freitas não é uma figura qualquer. Formada em Direito pelo Ciesa em 2004 e pós-graduada em Segurança Pública e Inteligência Policial pela Fametro em 2012, ela é, desde 2011, investigadora da própria Polícia Civil do Amazonas, com um salário estimado em mais de R$ 20 mil. Sua trajetória no serviço público inclui:

  • 2015: Cedida à Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALEAM) como assessora da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR).
  • 2019: Assumiu a chefia de gabinete do então prefeito Arthur Virgílio Neto (MDB).
  • 2023: Exonerada da função na gestão do atual prefeito David Almeida.
  • 2025: Nomeada por Almeida para integrar a Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus, cargo que ocupava até sua prisão.

A polícia solicitou a quebra de sigilo bancário e fiscal, além do bloqueio e sequestro de bens e valores dos suspeitos, diante da incompatibilidade entre o volume financeiro movimentado e a capacidade econômica declarada pelos envolvidos e suas empresas.

Prefeitura de Manaus se Pronuncia

Em nota oficial, a Prefeitura de Manaus fez questão de reiterar que nem o prefeito David Almeida nem a estrutura administrativa municipal fazem parte das investigações. A gestão condenou veementemente o que classificou como “narrativas mentirosas” propagadas por setores da política, buscando, segundo a prefeitura, “distorcer os fatos” e atingir a honra do chefe do executivo municipal.

“É inaceitável que setores da política tentem distorcer fatos para criar narrativas mentirosas e atingir a honra de quem tem trabalhado com responsabilidade pela cidade. A exploração oportunista de investigações que não envolvem a gestão municipal revela mais sobre os seus autores do que sobre os fatos”, diz o comunicado. A Secretaria Municipal de Comunicação acrescentou que “qualquer servidor eventualmente investigado responderá individualmente por seus atos, nos termos da lei, sem prejuízo do funcionamento regular da máquina pública”.

As diligências da Operação Erga Omnes revelaram que o grupo criminoso operava de forma altamente organizada, com uma clara divisão de tarefas e estruturação em núcleos operacional, financeiro e de apoio logístico. Há também indícios de tentativas de obtenção indevida de informações sigilosas para antecipar ações policiais e judiciais, o que agrava ainda mais a complexidade e a seriedade do caso.

Da redação do Movimento PB.

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