Investigação revela que adolescentes suspeitos de matar cão Orelha tentaram afogar outro animal
O caso de extrema violência contra animais que chocou Florianópolis ganhou novos e alarmantes contornos nesta terça-feira (27). As investigações da Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) indicam que o grupo de quatro adolescentes suspeitos de matar o cão comunitário Orelha também tentou afogar outro cachorro, batizado de Caramelo. O animal conseguiu escapar dos agressores e, após o resgate, foi adotado pelo delegado-geral da instituição, Ulisses Gabriel.
Em coletiva de imprensa, a polícia detalhou o histórico de crueldade do grupo. O cão Orelha, que vivia na Praia Brava, no Norte da Ilha, morreu no último dia 15 de janeiro após ser brutalmente agredido a pauladas. O laudo veterinário confirmou uma lesão contundente na cabeça como causa do óbito. O episódio mobilizou protestos na capital catarinense e reforçou o debate sobre a impunidade em crimes envolvendo maus-tratos a animais cometidos por menores de idade.
Na segunda-feira (26), foram cumpridos mandados de busca e apreensão nas residências dos envolvidos. No entanto, um detalhe chamou a atenção das autoridades: dois dos adolescentes investigados estão atualmente em viagem para a Disney, em Orlando (EUA). Embora a viagem estivesse planejada anteriormente, o embarque ocorreu logo após o crime ganhar repercussão nacional. O retorno dos jovens ao Brasil é aguardado para a próxima semana, quando deverão prestar depoimento.
A investigação também alcança a rede de proteção familiar dos adolescentes. Três adultos foram indiciados por coação no curso do processo. Segundo a PCSC, um familiar de um dos jovens teria utilizado uma arma de fogo para ameaçar o porteiro de um condomínio, na tentativa de impedir o fornecimento de imagens de câmeras de segurança e informações que pudessem incriminar o grupo. A arma, contudo, não foi localizada durante as buscas domiciliares.
A postura da Polícia Civil catarinense tem sido de tolerância zero com a violência animal. O delegado Ulisses Gabriel destacou que a adoção de Caramelo simboliza o compromisso da gestão com as delegacias especializadas em crimes ambientais. O caso segue sob sigilo judicial para preservar a colheita de provas, mas a repercussão já pressiona por medidas socioeducativas rigorosas e pela responsabilização criminal dos adultos que tentaram obstruir a justiça.
A sociedade civil e grupos de proteção animal acompanham de perto o desenrolar do inquérito, temendo que o poder aquisitivo dos envolvidos resulte em lentidão processual. O episódio do cão Orelha tornou-se um marco na luta contra o especismo e a impunidade, evidenciando que a violência contra seres vulneráveis muitas vezes é o prelúdio de comportamentos antissociais mais graves, que exigem intervenção imediata do Estado.
Por Redação do Movimento PB — Com informações de Matheus Bastos
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