Lula propõe jornada 4×2 e cita “sociedade do cansaço” em Seul

Em um discurso marcante durante o Fórum Empresarial Brasil-Coreia do Sul, em Seul, o presidente Lula defendeu uma profunda reavaliação das relações de trabalho no século XXI, enfatizando a necessidade de priorizar o bem-estar social. A agenda do presidente no país asiático, focada em estreitar laços comerciais e tecnológicos, serviu de palco para uma reflexão sobre a produtividade e a qualidade de vida dos trabalhadores.
Transformação do Trabalho e a ‘Sociedade do Cansaço’
Lula, ao lado do presidente sul-coreano Lee Jae-myung – ambos com origens na classe operária – ressaltou a evolução do mundo do trabalho e a crescente pressão por desempenho. Citando o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han e sua conceituação da “sociedade do cansaço”, o presidente brasileiro sublinhou como a busca incessante por produtividade afeta o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional dos indivíduos.
Em um movimento para combater essa realidade, Lula revelou que o Brasil discute, no Congresso Nacional, o fim da jornada de trabalho 6×1, visando garantir dois dias de descanso semanal. A proposta, que visa a implementação de uma jornada 4×2, é justificada pelo avanço tecnológico que, segundo o governo, já permitiu níveis de produtividade inimagináveis, sem que isso se traduza em perdas salariais para os trabalhadores.
Parceria Estratégica e Lições Coreanas
A visita de Lula à Coreia do Sul não se limitou às questões trabalhistas. O presidente expressou sua admiração pelo desenvolvimento econômico sul-coreano, que viu seu PIB per capita crescer exponencialmente em poucas décadas, superando em três vezes o do Brasil. Lula apontou que, enquanto o Brasil nos anos 90 se alinhava a um receituário neoliberal, a Coreia mantinha um papel indutor do Estado em setores estratégicos, especialmente em investimentos robustos em educação e tecnologia.
“A experiência coreana prova que elevar a escolaridade da população é um investimento valioso”, afirmou Lula, indicando um caminho para o Brasil em sua busca por uma economia mais diversificada e capaz de absorver mão de obra qualificada.
Multilateralismo e Comércio Livre
O presidente brasileiro reafirmou sua crença inabalável no multilateralismo e na importância de relações comerciais livres entre as nações. Ele criticou o protecionismo, classificando-o como um obstáculo ao crescimento global. “Quanto mais livre o comércio, melhor será para a Coreia e melhor será para o Brasil. E melhor será para o mundo”, declarou, defendendo que o crescimento econômico e a geração de empregos são as únicas vias para melhorar a qualidade de vida das pessoas.
Em declaração conjunta, Lula e Lee Jae-myung anunciaram acordos significativos nas áreas de agricultura, tecnologia e medicamentos, além de um incremento no intercâmbio cultural e educacional. O presidente sul-coreano também sinalizou a intenção de retomar as conversas sobre a negociação comercial de seu país com o bloco do Mercosul, um passo que pode solidificar ainda mais a parceria entre as regiões.
O Que Você Precisa Saber
Qual a principal proposta de Lula sobre trabalho na Coreia do Sul?
Lula defendeu o fim da jornada de trabalho 6×1 no Brasil, propondo dois dias de descanso semanal, o que na prática se traduziria em uma jornada 4×2. Ele argumenta que o avanço tecnológico e o aumento da produtividade justificam essa mudança sem perdas salariais.
Por que Lula citou a ‘sociedade do cansaço’?
O presidente utilizou a teoria do filósofo Byung-Chul Han para contextualizar a pressão por desempenho no mundo moderno, que afeta o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. A citação reforça a necessidade de priorizar o bem-estar dos trabalhadores.
Quais foram os principais acordos entre Brasil e Coreia do Sul?
Os presidentes Lula e Lee Jae-myung anunciaram acordos nas áreas de agricultura, tecnologia, medicamentos e intercâmbio cultural e educacional, buscando ampliar o comércio bilateral e fortalecer a cooperação entre os dois países.
Qual a visão de Lula sobre o modelo de desenvolvimento sul-coreano?
Lula elogiou a Coreia do Sul por seu rápido crescimento econômico e por ter mantido um papel indutor do Estado em setores estratégicos, com fortes investimentos em educação e tecnologia, mesmo quando o Brasil adotava políticas neoliberais. Ele vê a experiência coreana como um modelo valioso.
