Ministro do Meio Ambiente da Alemanha elogia Brasil após críticas do chanceler Merz durante a COP30
Após críticas do chanceler Merz, ministro alemão do Meio Ambiente elogia Brasil e destaca hospitalidade e desafios em Belém durante COP30.
O ministro do Meio Ambiente da Alemanha, Carsten Schneider, expressou em 17 de novembro seu apreço pelo Brasil, qualificando o país como “maravilhoso” e seu povo como acolhedor, em contrapartida às críticas depreciativas feitas na mesma semana pelo chanceler alemão, Friedrich Merz, ao Brasil durante e após a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em Belém.
Contraponto às declarações do chanceler alemão
Na semana anterior, Merz, líder conservador e chefe de governo, afirmou que a Alemanha é “um dos países mais bonitos do mundo” e comentou que os jornalistas alemães presentes na COP30 ficaram felizes de deixar Belém. Suas declarações foram veiculadas no Congresso Alemão do Comércio e repercutiram negativamente no Brasil, recebendo críticas do prefeito de Belém, Igor Normando, e do governador do Pará, Helder Barbalho, que classificaram as falas como “arrogantes” e “preconceituosas”.
Elogios do ministro ambiental à Amazônia e Belém
Contrariando a abordagem do chanceler, Schneider compartilhou em seu Instagram uma imagem pescando na Amazônia, discorrendo em português sobre sua admiração pelo Brasil e a hospitalidade do povo local. Em texto na sua postagem em alemão, lamentou não poder permanecer mais tempo no país para aprofundar suas conexões na região.
A revista alemã Stern destacou que Schneider tentou apaziguar as tensões decorrentes das declarações de Merz, elogiando Belém e reconhecendo o comprometimento e a riqueza cultural da população, ao mesmo tempo em que ressaltou os desafios socioeconômicos evidentes na cidade, tais como pobreza, infraestrutura precária e poluição ambiental.
Reações oficiais brasileiras e contexto político alemão
As respostas oficiais foram marcadas por contrapontos firmes contra o tom adotado pelo chanceler Merz. O diálogo político acontece no contexto da COP30, quando ocorreu um encontro bilateral entre Merz e o presidente Lula, ocasião em que a Alemanha se comprometeu a contribuir financeiramente ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre, importante mecanismo brasileiro para financiamento climático, embora o montante exato ainda não tenha sido confirmado.
Merz, com histórico religioso-conservador e alinhado ao liberalismo econômico, assumiu o cargo de chanceler da Alemanha em maio de 2024 após uma eleição marcada por dificuldades e foi por muito tempo superado pela ex-chanceler Angela Merkel em disputas internas na CDU.
Reflexões sobre a imagem internacional do Brasil
O episódio evidencia os desafios da diplomacia ambiental e cultural na arena internacional, especialmente quando se trata de países-chave na luta contra as mudanças climáticas, como o Brasil. Enquanto o governo alemão se engaja formalmente nos esforços de conservação da Amazônia, a tensão gerada pela fala de seu chefe de governo pode impactar o diálogo bilateral e a cooperação futura.
Assim, Schneider representa uma voz mais conciliadora e respeitosa sobre o contexto brasileiro, frente a um discurso mais rígido do chanceler. Ambos os posicionamentos refletem as complexidades de uma relação marcada por interesses ambientais, econômicos e políticos em nível global, que demandam equilíbrio e consideração mútua.
[Da redação do Movimento PB]
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