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Multa por ‘cristofobia’? Fantasia de freira pode pesar no bolso em Salvador

Multa por ‘cristofobia’? Fantasia de freira pode pesar no bolso em Salvador
Multa por ‘cristofobia’? Fantasia de freira pode pesar no bolso em Salvador

Salvador quer punir ‘ataques’ à fé cristã no Carnaval

Em meio à preparação para o Carnaval, Salvador se vê no centro de uma polêmica com a possível sanção do ‘Programa de Combate à Cristofobia’. O projeto de lei, já aprovado na Câmara Municipal, propõe multas salgadas para quem ‘hostilizar’ a fé cristã durante a folia. A medida aguarda o sinal verde do prefeito Bruno Reis e reacende o debate sobre os limites da liberdade de expressão e o espectro da censura.

A proposta, liderada pelo vereador Cezar Leite (PL), mira especificamente atos como ‘hostilizar Jesus Cristo’, o uso de ‘fantasias de freiras com conotação sexual’ e ofensas a símbolos religiosos cristãos. As punições podem chegar a seis salários mínimos em caso de reincidência, além da criação de canais de denúncia.

O que dizem os especialistas?

Especialistas questionam a validade do termo ‘cristofobia’ e alertam para a subjetividade da lei. Juliana de Barros Toledo, advogada criminalista, adverte sobre o risco de insegurança jurídica e decisões arbitrárias, já que a lei carece de critérios objetivos para definir o que seria um ‘ataque’ ou ‘desrespeito’.

Magali Cunha, pesquisadora do Instituto de Estudos da Religião (Iser), lembra que a proposta surge após a polêmica envolvendo a cantora Claudia Leitte, que alterou a letra de uma música no Carnaval de 2025. Para Magali, a lei pode ser barrada no STF por ferir a laicidade do Estado.

Dados do Censo 2022 revelam que quase 70% da população de Salvador se declara cristã, o que dificulta a tese de perseguição estrutural.

‘Cristofobia não existe’

Para críticos, o termo ‘cristofobia’ não se sustenta no Brasil. Argumentam que a legislação já protege todas as crenças e que a criação de uma lei específica poderia ferir o princípio da isonomia.

A vereadora Marta Rodrigues (PT) classifica a medida como um ‘fato político artificial’ para inflamar bases eleitorais e desviar o foco de demandas sociais legítimas.

Onda conservadora? Outras capitais também adotam medidas

O movimento em Salvador não é um caso isolado. São Paulo, Belo Horizonte e Recife já instituíram o ‘Dia do Combate à Cristofobia’ em seus calendários oficiais. No Rio, um projeto similar, com multa de R$ 3 mil, foi arquivado.

Analistas veem nessas iniciativas uma estratégia eleitoral, impulsionada por ‘pânicos morais’ que dão votos. O professor Paulo Gracino Júnior, da UnB, identifica uma transição no discurso religioso-político, com foco em temas que mobilizam o eleitorado conservador.

Aprovado com ampla maioria na Câmara de Salvador, o projeto agora aguarda a decisão do prefeito Bruno Reis, pressionado por apoiadores e críticos.

O debate está aberto e promete esquentar ainda mais com a proximidade do Carnaval.

Da redação do Movimento PB.

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