Paraguai convoca embaixador brasileiro para esclarecimentos sobre suposto monitoramento da Abin

O governo paraguaio convocou o embaixador do Brasil no país, José Marcondes de Carvalho, para prestar esclarecimentos sobre o suposto monitoramento de autoridades paraguaias pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin). A medida ocorre após a revelação de que a Abin teria utilizado um programa espião para invadir computadores do governo do Paraguai, incluindo dispositivos ligados à Presidência e ao Congresso.

Segundo um interlocutor diplomático, a convocação foi considerada um procedimento natural dentro do contexto. O embaixador teria esclarecido que o episódio ocorreu durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro e não na administração atual.

A denúncia surgiu após um depoimento de um agente da Abin à Polícia Federal, como parte da investigação sobre o uso indevido da inteligência federal. Segundo o depoente, a agência utilizou a ferramenta Cobalt Strike para desenvolver um aplicativo que permitiu a invasão dos sistemas paraguaios. O objetivo seria obter informações sobre as negociações da venda de energia da usina de Itaipu, que é compartilhada entre Brasil e Paraguai.

O Itamaraty contestou a versão, afirmando que a operação foi autorizada em junho de 2022, durante o governo Bolsonaro, e suspensa em março de 2023, já sob a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva.

Monitoramento ocorreu durante negociação sobre Itaipu

O caso aconteceu no período em que Brasil e Paraguai discutiam um reajuste no valor pago pela parte da energia de Itaipu pertencente ao Paraguai. O acordo, fechado em 2023, estabeleceu um valor abaixo do que era reivindicado pelo governo paraguaio.

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O depoimento do agente da Abin faz parte do inquérito aberto após a revelação do uso da ferramenta FirstMile para monitorar adversários políticos de Bolsonaro. O servidor afirmou que a operação teve aval do chefe da Abin no governo anterior e que, posteriormente, obteve também o aval do atual diretor da agência, Luiz Fernando Corrêa, nomeado em 2023.

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