Planalto se volta a mórmons em aceno a religiosos após Carnaval

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva promoveu um encontro estratégico no Palácio do Planalto nesta quinta-feira (26 de fevereiro de 2026), recebendo o apóstolo Élder Ulisses Soares, da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. A audiência é vista como um movimento calculado para reaproximar o governo de segmentos religiosos, especialmente após recentes atritos que geraram críticas de parte da comunidade cristã.
A reunião contou com a presença de figuras proeminentes da Igreja e do governo, incluindo o advogado-geral da União, Jorge Messias. Entre os representantes religiosos, destacaram-se Michael O. Leavitt, ex-governador de Utah e ex-secretário de Saúde dos EUA; Gordon Smith, ex-senador do Oregon; e líderes brasileiros da Igreja, como Joni L. Koch, Nei Garcia e Magno Silva.
Pautas e Contexto da Reunião
Durante o encontro, os representantes da Igreja apresentaram ao presidente o escopo de suas atividades e ofereceram apoio ao governo em áreas afetadas por desastres naturais, como a Zona da Mata Mineira, recentemente atingida por chuvas históricas. Os líderes religiosos também elogiaram o Brasil como um país de grande respeito à liberdade de crença. Em resposta, Lula abordou a importância do combate ao feminicídio, pauta recorrente em sua administração.
O simbolismo da reunião é notável. Ela ocorre em um momento de sensível desgaste na relação entre o governo e parte dos grupos cristãos. Este atrito se intensificou após o desfile de Carnaval da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente e gerou controvérsia ao ironizar evangélicos.
A Controvérsia do Carnaval
No desfile de 15 de fevereiro, a agremiação carioca apresentou uma ala intitulada “neoconservadores em conserva”, cujas fantasias representavam latas de conserva com a imagem de uma família tradicional. A escola explicou que a ala visava satirizar grupos que, em sua visão, representam o “neoconservadorismo”, citando o agronegócio, mulheres da classe alta, defensores da ditadura militar e, explicitamente, evangélicos.
A iniciativa da Acadêmicos de Niterói, que acabou rebaixada na competição, provocou uma onda de críticas e aprofundou a percepção de distanciamento entre o governo e setores religiosos conservadores, que já vinham manifestando insatisfação com algumas políticas e discursos governamentais. A tentativa de reaproximação com os mórmons, um grupo religioso de forte organização e presença global, pode ser interpretada como um esforço para diversificar e fortalecer as pontes do Planalto com a pluralidade religiosa do país.
Analistas políticos observam que o movimento do presidente Lula reflete uma estratégia para recompor o diálogo com a base religiosa, reconhecendo a influência desses grupos na formação da opinião pública e no cenário eleitoral. A pauta de combate ao feminicídio, por sua vez, busca alinhar a discussão com valores sociais importantes, independentemente das diferenças ideológicas ou religiosas.
