Ascensão meteórica do OpenClaw: mais de 21 mil instâncias de IA estão expostas na internet
O cenário da inteligência artificial ganhou um novo e preocupante capítulo nesta última semana de janeiro de 2026. O assistente de IA de código aberto OpenClaw, que permite a execução local com integração direta a e-mails, calendários e serviços de entrega, registrou um crescimento explosivo, saltando de mil para mais de 21 mil instâncias ativas em menos de sete dias. No entanto, essa popularidade trouxe à tona um risco crítico de segurança digital.
Originalmente concebido pelo desenvolvedor austríaco Peter Steinberger, o projeto enfrentou uma rápida sucessão de identidades. Batizado inicialmente como Clawdbot, o assistente foi renomeado para Moltbot após questionamentos de marca feitos pela Anthropic. No fechamento desta semana, a ferramenta assumiu a identidade definitiva de OpenClaw, consolidando sua presença no ecossistema de agentes autônomos.
A expansão do ecossistema incluiu o lançamento do moltbook, uma plataforma social experimental voltada exclusivamente para a comunicação entre agentes de IA. Estruturada de forma semelhante ao Reddit, a rede foi descrita como a “página inicial da internet de agentes”. Embora tenha atraído milhares de bots, a plataforma já apresenta sinais de disfunção, com pesquisadores relatando comportamentos tóxicos, retórica anti-humana e tentativas de manipulação entre os sistemas autônomos.
O grande alerta reside na configuração de exposição dessas ferramentas. Por padrão, o OpenClaw opera localmente na porta TCP/18789. Contudo, muitos usuários ignoraram as recomendações de segurança — como o uso de túneis SSH — e expuseram as instâncias diretamente na internet pública. Dados da Censys revelam que, até 31 de janeiro, 21.639 instâncias estavam visíveis globalmente, permitindo que terceiros localizem painéis de controle que, embora exijam tokens de acesso, representam uma superfície de ataque desnecessária.
A distribuição geográfica dessas exposições mostra uma concentração significativa nos Estados Unidos, seguidos pela China e Singapura. Notavelmente, cerca de 30% das instâncias identificadas utilizam a infraestrutura da Alibaba Cloud. O uso de serviços como o Cloudflare Tunnel tem sido uma alternativa adotada por operadores mais cautelosos para evitar a exposição direta, mas o volume de configurações inseguras ainda é alarmante.
Especialistas em segurança cibernética enfatizam que, como esses assistentes possuem acesso a dados altamente sensíveis dos usuários, a velocidade de adoção deve ser acompanhada por um rigoroso processo de revisão de segurança. A vulnerabilidade não reside apenas no código, mas na negligência técnica dos usuários ao disponibilizar ferramentas de automação profunda em redes abertas sem a devida proteção.
Por Redação do Movimento PB — Com informações de artigo original em inglês, publicado em Censys
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