Brasil desafia EUA e aprofunda laços espaciais com a China na Paraíba

Paraíba no centro da colaboração sino-brasileira
Em um movimento que desafia a estratégia de Washington de conter a expansão espacial chinesa na América do Sul, o Brasil avança com a construção de um laboratório espacial gigante e um radiotelescópio na Paraíba, em parceria com a China. A iniciativa, que envolve a estatal chinesa CETC e universidades federais, aprofunda a cooperação científica entre os dois países em radioastronomia.
O acordo entre a CETC, a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) viabiliza a criação de um laboratório espacial dedicado à radioastronomia, em paralelo com o radiotelescópio BINGO. A construção ocorre em um momento em que os Estados Unidos tentam frear projetos semelhantes na região, como os que foram congelados no Chile e na Argentina após o retorno de Trump à Casa Branca.
Laboratório impulsiona pesquisa e tecnologia espacial
Anunciado em 10 de dezembro de 2025, o laboratório espacial sino-brasileiro representa um marco na colaboração tecnológica entre os dois países. Segundo a CETC, o Instituto de Pesquisa em Comunicações de Rede da empresa assinou um acordo com a UFCG e a UFPB para criar o Laboratório Conjunto China-Brasil de Tecnologia de Radioastronomia. O espaço funcionará como um centro de pesquisa avançada em observação astronômica e exploração do espaço profundo.
Espera-se que o novo laboratório impulsione a pesquisa de ponta em instrumentação, processamento de sinais e monitoramento do céu, integrando equipes brasileiras e chinesas. Para os parceiros, a iniciativa é um passo estratégico para formar pessoal altamente qualificado, atrair investimentos em ciência de ponta e colocar a Paraíba no mapa global da radioastronomia.
Pressão dos EUA e o futuro da autonomia brasileira
A cooperação sino-brasileira contrasta com a pressão de Washington sobre os governos latino-americanos para que reduzam ou limitem parcerias estratégicas com a China, inclusive em projetos espaciais. A nova estratégia de segurança da Casa Branca desencoraja laços mais estreitos entre as nações da América e Pequim.
Apesar disso, o Brasil sinaliza que pretende preservar maior autonomia na política externa e diversificação de parcerias tecnológicas em meio à disputa geopolítica entre os Estados Unidos e a China. Ao concordar em seguir adiante com o laboratório espacial, mesmo sob pressão de Washington, o país reafirma sua posição de independência e busca fortalecer sua capacidade científica e tecnológica.
BINGO: o radiotelescópio que transforma a Paraíba
O laboratório espacial é lançado em paralelo com o BINGO, um radiotelescópio construído em parceria entre a China e o Brasil, e anunciado como o maior radiotelescópio da América do Sul. Projetado para estudar a estrutura do universo e a energia escura, o equipamento abre oportunidades para que pesquisadores baseados no Nordeste do Brasil participem de colaborações científicas internacionais de alto impacto.
De acordo com a CETC, o BINGO também poderá rastrear satélites, meteoroides e outros pequenos corpos, além de ajudar a identificar ameaças potenciais de objetos próximos à Terra. Telescópios poderosos desse tipo são usados para monitorar a chamada situação espacial e podem prever quando satélites militares dos EUA passarão sobre um determinado território, além de auxiliar na coordenação do uso de armas anti-satélite (ASAT), de acordo com um relatório de inteligência dos EUA.
- O laboratório espacial impulsionará a pesquisa de ponta em instrumentação e monitoramento.
- Brasil busca autonomia na política externa e diversificação de parcerias tecnológicas.
- BINGO é o maior radiotelescópio da América do Sul, construído em parceria com a China.
Ao combinar um radiotelescópio gigante com um laboratório espacial dedicado à radioastronomia, Brasil e China estão criando um centro de pesquisa que também tem relevância estratégica na vigilância espacial, gerenciamento do tráfego orbital e defesa de infraestruturas críticas que dependem de satélites.
O espaço como ferramenta diplomática chinesa
A expansão do laboratório espacial e o uso de telescópios como o BINGO se encaixam em uma estratégia mais ampla de Pequim. Nas últimas duas décadas, a China tem utilizado suas capacidades espaciais em rápida evolução como uma ferramenta diplomática para expandir a influência na Ásia, África e América do Sul, instalando telescópios, construindo satélites e treinando pessoal estrangeiro.
No caso brasileiro, a iniciativa na Paraíba aprofunda os laços científicos destacados pela CETC e reforça a presença chinesa em infraestruturas tecnológicas sensíveis no continente.
Da redação do Movimento PB.
