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BRICS articulam datacenter soberano no Brasil e colocam Bahia no mapa digital

BRICS articulam datacenter soberano no Brasil e colocam Bahia no mapa digital
BRICS articulam datacenter soberano no Brasil e colocam Bahia no mapa digital

Uma articulação entre os países do BRICS visa estabelecer um datacenter soberano no Brasil, um projeto que tem potencial para redefinir a posição do país na disputa global por dados e inteligência artificial. A iniciativa, liderada pela GoBRICS, organização recém-criada na Índia em parceria com a empresa ESDS e com o apoio do governo baiano, encontra-se em estágio inicial, mas sinaliza uma estratégia clara para reduzir a dependência de grandes corporações de tecnologia e servidores internacionais.

Infraestrutura para Soberania Digital

A proposta central é a construção de uma infraestrutura digital nacional robusta, capaz de abrigar armazenamento e processamento de dados, incluindo serviços de nuvem, inteligência artificial e plataformas governamentais. Um dos pilares do projeto é a integração entre as nações do BRICS, com o datacenter funcionando como um ponto seguro para a troca de informações entre as economias emergentes. O CEO da GoBRICS destacou que a meta transcende a tecnologia, buscando “desenvolver soberania digital para o futuro”, com o Brasil posicionado como um eixo estratégico nesse desenvolvimento.

Bahia: Um Hub Estratégico

A escolha da Bahia como local para o empreendimento não é fortuita. O estado oferece vantagens logísticas, energéticas e geográficas cruciais para se consolidar como um hub digital na América Latina. Essa vocação já vinha sendo apontada em projetos anteriores, com empresas indianas indicando a Bahia como porta de entrada regional para serviços de nuvem, IA e processamento de dados. A infraestrutura de datacenters é considerada uma das mais estratégicas globalmente, sustentando desde redes sociais e sistemas financeiros até operações de defesa e desenvolvimento de inteligência artificial.

A Corrida Global por Dados

Relatórios internacionais indicam que o controle sobre dados tornou-se um fator determinante na nova economia, equiparando-se ao controle de cadeias produtivas e capacidade tecnológica. No Brasil, essa percepção tem impulsionado ações concretas. A Câmara dos Deputados aprovou recentemente um regime especial para datacenters, com renúncia fiscal estimada em R$ 7 bilhões, visando atrair investimentos e consolidar o país nesse setor. Essa medida sublinha a dimensão da corrida global pela infraestrutura digital, agora tratada como ativo estratégico, em par com energia e logística.

Impactos e Geopolítica

Um datacenter soberano no Brasil traria impactos significativos, começando pela redução da dependência de servidores estrangeiros e pelo aumento do controle sobre dados sensíveis. Isso abrangeria desde serviços públicos e o sistema financeiro até aplicações de inteligência artificial, além de fomentar a inovação nacional. Economicamente, tais projetos atraem investimentos vultosos, criam empregos qualificados e estimulam ecossistemas de tecnologia. No plano geopolítico, a iniciativa se alinha à estratégia do BRICS de construir autonomia em áreas críticas, como dados, energia e sistemas de pagamento, formando um novo tripé de poder global. Se concretizado, o projeto posicionaria o Brasil de forma proeminente na economia digital global, não apenas como consumidor, mas como provedor de infraestrutura estratégica para o Sul Global.

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