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Calacanis alerta: A falta de ética de Sam Altman e o risco para desenvolvedores

Por Redação do Movimento PB — Com informações de depoimento original em inglês, publicado por Jason Calacanis

No fervilhante cenário do Vale do Silício, onde a inovação muitas vezes atropela a cautela, uma voz de peso decidiu romper o silêncio. Jason Calacanis, influente investidor-anjo e empreendedor, lançou um alerta contundente que ressoa como um aviso de sobrevivência para o ecossistema tecnológico. Em depoimento em vídeo, ele aponta o que considera uma profunda falta de ética de Sam Altman na condução da OpenAI, comparando suas práticas a táticas predatórias de décadas passadas.

A crítica central de Calacanis foca na maneira como a OpenAI utiliza sua API para monitorar, estudar e, eventualmente, absorver as criações de terceiros. Para o investidor, os desenvolvedores que hoje constroem soluções baseadas no motor do ChatGPT podem estar, sem saber, cavando a própria obsolescência comercial ao entregar seus dados de uso para uma gigante que não planeja deixar espaço para concorrentes menores.

A “Escola Zuckerberg” e a estratégia de absorção

Calacanis não economiza nas palavras ao descrever a trajetória de Altman. Segundo ele, o CEO da OpenAI segue a “Escola Zuckerberg de Negócios”: atrair desenvolvedores com ferramentas potentes para, em seguida, mapear cada inovação bem-sucedida. Sam Altman é descrito como um estrategista que “não faz prisioneiros” e que busca capturar cada centavo de receita do ecossistema de inteligência artificial.

O paralelo histórico utilizado é o da Microsoft nos anos 90. Naquela época, a empresa de Bill Gates observava quais softwares ganhavam tração em seu sistema operacional Windows — como o Lotus 1-2-3 — para então lançar versões próprias, como o Excel, esmagando a concorrência original. Calacanis afirma que a OpenAI está repetindo esse ciclo, usando os desenvolvedores como cobaias de um laboratório de mercado global e gratuito.

O perigo para os desenvolvedores na era da IA

O ponto mais intrigante da visão de Calacanis reside na vulnerabilidade técnica. Ao utilizar a API da OpenAI, cada interação, erro e acerto do desenvolvedor é registrado. Essa densidade semântica de dados permite que a OpenAI identifique lacunas de mercado e funcionalidades de alto valor antes mesmo que as startups consigam escalar. A falta de ética de Sam Altman, na visão do investidor, manifesta-se nessa vigilância constante travestida de parceria tecnológica.

Para o público brasileiro, especialmente as classes A e B que investem ou lideram o setor de tecnologia no Nordeste, o alerta é um chamado ao realismo. A dependência excessiva de infraestruturas centralizadas pode significar que o capital intelectual gerado localmente está sendo transferido de bandeja para o Vale do Silício. O depoimento de Calacanis sugere que a ingenuidade no uso dessas ferramentas pode custar a soberania de novos negócios.

A discussão levanta uma questão essencial: até que ponto a eficiência de uma ferramenta justifica o risco de ter sua inovação assimilada por quem detém o controle do servidor? A análise de Calacanis reforça que, no tabuleiro da IA, os desenvolvedores precisam olhar para além das funcionalidades e compreender a política de poder que sustenta os modelos de linguagem atuais, onde a ética parece ser um recurso escasso diante da fome por monopólio.


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