Brasil assume protagonismo tecnológico no maior observatório astronômico do mundo
A ciência brasileira consolida um marco histórico na exploração espacial ao integrar o consórcio internacional responsável pelo desenvolvimento do Mosaic. O instrumento é um espectrógrafo multi-objetos de alta complexidade que irá operar no Extremely Large Telescope (ELT), atualmente em construção no Deserto do Atacama, no Chile. Sob a gestão do Observatório Europeu do Sul (ESO), o ELT será o maior telescópio óptico e infravermelho do planeta, contando com um espelho primário de 39 metros de diâmetro.
O papel estratégico do Brasil no consórcio Mosaic
A participação nacional é liderada pelo Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em parceria com o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP. A equipe brasileira detém a responsabilidade técnica pelo Instrument Core Subsystem (Icos), considerado o núcleo central do espectrógrafo, que funcionará como a espinha dorsal para a integração de todos os demais subsistemas do equipamento.
O desenvolvimento do projeto ocorre no Parque Científico e Tecnológico de Itajubá, em Minas Gerais, onde uma nova infraestrutura laboratorial está sendo erguida especificamente para os testes de integração. Segundo Bruno Castilho, pesquisador do LNA e engenheiro de sistemas do Mosaic, a liderança brasileira nesta etapa não apenas demonstra maturidade tecnológica, mas também assegura aos pesquisadores do país o direito de uso de um dos equipamentos mais avançados da década de 2030.
Tecnologia para decifrar a evolução do Universo
A função principal do Mosaic é a decomposição da luz em diferentes comprimentos de onda, permitindo a análise simultânea de mais de 200 alvos astronômicos. Essa capacidade é fundamental para que astrofísicos identifiquem a composição química de galáxias distantes e compreendam a distribuição da matéria desde os primeiros bilhões de anos após o Big Bang. O projeto reúne uma força-tarefa de 20 astrofísicos e dez engenheiros brasileiros, sob a coordenação da professora Beatriz Barbuy (USP).
Os investimentos para esta fase contam com o suporte da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Além do ganho científico, a colaboração internacional impulsiona a indústria nacional de alta tecnologia, capacitando profissionais em áreas críticas da engenharia e abrindo portas para o mercado global de instrumentação científica de precisão.
Cronograma e legado institucional
O cronograma do projeto prevê que os trabalhos da equipe brasileira se estendam até 2032. Após essa fase, os componentes fabricados no Brasil serão enviados à França para a montagem final, com expectativa de início de operação no Chile para o ano de 2038. O LNA, fundado em 1985 como o primeiro laboratório nacional do país, reafirma sua posição como referência na gestão de grandes infraestruturas astronômicas, como o Observatório do Pico dos Dias e as participações nos telescópios Gemini e Soar.
A presença do Brasil no ELT coloca a ciência produzida no Nordeste e no restante do país em pé de igualdade com as maiores potências globais, transformando a competência técnica em acesso privilegiado ao conhecimento sobre a formação de elementos químicos e a evolução das estruturas cósmicas. A soberania científica brasileira ganha, assim, um novo horizonte em meio às estrelas do Atacama.
Por Redação do Movimento PB
[GEMINI-MPB-29-01-2026-10:35-V10.5]
