A Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC), maior fabricante de semicondutores do mundo, enfrentou um dilema significativo desde outubro de 2024, quando o Departamento de Comércio dos EUA abriu uma investigação para apurar se a empresa estava fornecendo chips à Huawei, contrariando sanções americanas e taiwanesas. A suspeita ganhou força após a TechInsights, plataforma canadense, identificar um chip da TSMC na placa Ascend 910B, um hardware de inteligência artificial da Huawei projetado para rivalizar com a GPU A100 da NVIDIA e que vem crescendo no mercado chinês com respaldo do governo local.
A resposta da TSMC foi rápida. Em comunicado, a empresa, liderada por C.C. Wei, reconheceu a gravidade da situação e prometeu agir: “Se houver indícios de problemas potenciais, tomaremos medidas imediatas para garantir o cumprimento das sanções, incluindo investigações e diálogo com clientes e autoridades.” A promessa foi cumprida, e a TSMC rastreou os responsáveis pelo desvio dos chips. Segundo o South China Morning Post (SCMP), a empresa cortou laços com a PowerAIR, uma companhia de Cingapura apontada como a intermediária que forneceu o chip à Huawei para a Ascend 910B.
Esse não é um caso isolado. Em 2024, a TSMC já havia encerrado sua relação com a Sophgo, uma empresa chinesa de design de chips, após descobrir que ela também repassava semicondutores à Huawei. Ambos os episódios expõem a dificuldade da TSMC em monitorar sua cadeia de suprimentos e identificar clientes que, intencionalmente ou não, violam as restrições impostas pelos EUA desde 2020, que proíbem a venda de tecnologia americana ou derivada a empresas como a Huawei.
Cingapura, junto com Malásia e Índia, está sob escrutínio americano como centros de contrabando de chips avançados para a China. Esses países atuam como pontos de passagem, dificultando o controle sobre o destino final dos semicondutores. A TSMC, que depende de clientes globais para manter sua posição dominante — produzindo chips para gigantes como NVIDIA e AMD —, enfrenta um problema estrutural: a facilidade com que a China substitui intermediários. A PowerAIR e a Sophgo são apenas exemplos de uma rede maior que Beijing utiliza para acessar tecnologias restritas.
O caso revela um desafio persistente para a indústria de semicondutores ocidental. Apesar dos esforços da TSMC para cumprir as sanções, a identificação de todos os elos dessa cadeia clandestina é uma tarefa árdua. A Huawei, por sua vez, segue fortalecendo sua presença no mercado de IA, aproveitando brechas e o apoio interno para competir com líderes globais. Para a TSMC, o fim do impasse com a PowerAIR é um passo, mas a solução definitiva parece distante em um cenário onde novos intermediários podem surgir a qualquer momento.
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Texto adaptado de Xataka Espanha e revisado pela nossa redação.