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Freelancers Sumindo? IA Ameaça Renda e Saúde Mental, Revelam Profissionais

Freelancers Sumindo? IA Ameaça Renda e Saúde Mental, Revelam Profissionais
Freelancers Sumindo? IA Ameaça Renda e Saúde Mental, Revelam Profissionais

IA x Freelancers: Uma Batalha Desigual?

A inteligência artificial generativa, antes vista como promissora, transformou-se em pesadelo para muitos freelancers. Profissionais de marketing, publicidade, design e áreas correlatas relatam perda drástica de clientes, redução de pagamentos e aumento da pressão no trabalho. O Movimento PB ouviu relatos impactantes sobre essa transformação.

Clientes Desaparecendo e Contratos Sumindo

“Até 2021, minha cartela de clientes me sustentava bem, mas de 2022 para cá, despencou mais de 50%”, conta Paula*, jornalista e redatora. Mariana*, designer de livros, enfrenta situação similar: “Antes, recebia uns cinco orçamentos por semana e fechava pelo menos um. Hoje, os contatos caíram quase pela metade.”

Fabio Farro, roteirista experiente, sentiu o golpe mais forte: queda de 90% nos clientes entre 2023 e 2024. Beatriz*, produtora de textos, perdeu todos os clientes que somavam mais de dez marcas. “Ainda bem que tenho um emprego fixo, mas aquela grana extra que ajudava no fim do mês já não existe mais”, lamenta.

A Troca Silenciosa e a Lógica do Mercado

A substituição por IA nem sempre é transparente. Mariana* descobriu que clientes sumiram e suas capas foram substituídas por versões geradas por IA. Ricardo*, coordenador de marketing, percebeu que a pressão para investir em IA “tirou dinheiro do marketing”.

Viviane Fortes, redatora publicitária, viu colegas serem substituídos por “operadores de ChatGPT”. Beatriz* ouviu a justificativa direta: centralizar as demandas internamente, com um profissional operando a IA.

Pagamentos em Queda Livre

A IA não apenas roubou clientes, mas também desvalorizou o trabalho. Paula* relata que “o preço por texto está muito abaixo do que era praticado até 2021, e as agências demoram a pagar”. Ricardo* confirma a tendência de remunerações cada vez menores. Fortes conta que a tabela de preços da agência está congelada desde a pandemia.

Com a crise, freelancers enfrentam dificuldades. “Precisei voltar a morar com a minha mãe, e bate o desespero de não conseguir emprego na minha área”, desabafa Farro. Mariana* conseguiu se manter, mas precisou aumentar preços, criar materiais para bancos de imagens, buscar clientes no exterior e abrir uma loja online de capas de livros.

Novos Tempos, Novas Exigências

Os freelancers precisam se adaptar à nova realidade, onde a IA dita as regras. Ricardo* trabalhou em uma agência que exigia 25 disparos de e-mail marketing por dia, usando um GPT personalizado para gerar textos rapidamente, sacrificando a qualidade. “Ninguém ia ler aquilo. Nem quem fazia, nem quem revisava, nem quem recebia”, conta.

Paula* percebe que as empresas exigem que os freelancers dominem diversas habilidades, como redação, tradução, design, edição de vídeo e métricas. Mariana* ouve que seu trabalho é “muito caro e demorado” em comparação com a IA.

A Ressaca da IA?

Apesar do entusiasmo inicial, a IA não é uma solução mágica. Um estudo do MIT aponta que 95% dos projetos com IA generativa falham. Uma pesquisa da PwC revela que 56% dos CEOs “não estão ganhando nada” com a tecnologia.

Ricardo* percebe uma “ressaca” desse movimento. “Algumas pessoas estão percebendo que não dá para substituir redator por IA e valorizando um pouco mais o trabalho.” Fortes testemunha a quantidade de pedidos para refazer textos gerados por IA.

Mariana* se recusa a usar IA e percebe que isso se tornou um diferencial. “Tenho clientes que resolveram me contratar justamente porque eu não uso IA. Não usar IA nesse mercado virou um ‘diferencial’, por mais absurdo que pareça”, explica.

O Preço da Inovação: Sofrimento Real

Mesmo equilibrando as contas, Mariana* lamenta a desvalorização de seu trabalho. Ricardo* faz tratamento para ansiedade desde 2023, afetado pela instabilidade profissional. “Parece que a pessoa se sente idiota por estar te pagando para escrever, sendo que ela acha que uma máquina pode fazer instantaneamente”, desabafa.

Fortes ouviu de um dono de agência que “o ChatGPT é o redator perfeito”. Para Farro, a crise afeta até seus projetos pessoais. “Era o meu sonho, desde pequeno, trabalhar com escrita. Tento me distrair (e apostar) em um projeto autoral, mas fica difícil quando não se tem dinheiro”, conclui.

Da redação do Movimento PB.

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