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Investidora do Suno apaga tweet que contradiz defesa em caso de direitos autorais

Investidora do Suno apaga tweet que contradiz defesa em caso de direitos autorais
Investidora do Suno apaga tweet que contradiz defesa em caso de direitos autorais

A ascensão da música gerada por IA e as batalhas legais

Enquanto serviços de streaming lutam contra o volume de músicas geradas por inteligência artificial, empresas que facilitam essa criação ganham popularidade. A Suno, aplicativo de música por IA, atingiu 2 milhões de assinantes pagos e US$300 milhões em receita anual, conforme anunciou o CEO Mikey Shulman. A ferramenta permite que qualquer pessoa gere músicas a partir de comandos de texto, mesmo sem experiência em produção musical.

Como ocorre com chatbots de texto, o surgimento desses aplicativos reacendeu o debate sobre violação de direitos autorais. A Warner Music Group fez um acordo com a Suno, mas outras ações judiciais seguem em aberto. A GEMA, organização alemã de direitos musicais, acusa a Suno de usar seu repertório sem licença ou compensação aos artistas. A GEMA venceu em uma corte regional alemã, mas o processo de apelação continua.

O tweet apagado e a contradição na defesa da Suno

A Suno alega que usar material protegido por direitos autorais para treinar seus modelos de IA se enquadra em “uso justo”, mesmo tendo admitido, em 2024, que treinou seus modelos com músicas protegidas. A defesa da Suno se baseia na alegação de que a música gerada por IA não compete diretamente com o material original usado no treinamento.

No entanto, C.C. Gong, investidora da Menlo Ventures e uma das principais investidoras da Suno, admitiu em um tweet apagado que passou a ouvir mais Suno do que outras plataformas. Ela alegou estar cansada das recomendações repetitivas do Spotify e defendeu que, com a IA, o catálogo se torna infinito e a música, mais personalizada.

Para Ed Newton-Rex, compositor e membro da organização Fairly Trained, o tweet de Gong contradiz a alegação da Suno de que sua plataforma não está fazendo com que usuários abandonem plataformas com músicas licenciadas, um ponto central na defesa de “uso justo”.

Implicações para o futuro da música e da criatividade

Além de ser um momento delicado para a Suno, a mensagem apagada de Gong levanta questões sobre o futuro da criação musical e da criatividade humana. Essa situação se repete em diversas áreas, do jornalismo à escrita criativa. As ferramentas de IA reduzem as barreiras de entrada, mas não oferecem uma maneira de criar algo verdadeiramente novo ou original.

Mikey Shulman, CEO da Suno, afirmou que “não é divertido fazer música hoje em dia”, alegando que “a maioria das pessoas não gosta da maior parte do tempo que gasta fazendo música”.

Tim Requarth, neurocientista e escritor, descreveu sua reação ao tweet de Gong como “repugnância”. Ele defende que as pessoas devem ter o poder de criar o que quiserem com ferramentas acessíveis, mas também acredita que a cultura criativa, que produz obras como sonatas e jazz, precisa de condições que nenhuma ferramenta pode substituir.

Requarth argumenta que a alegação de Gong de que a música por IA irá inaugurar uma nova era de música personalizada é uma distração. Para ele, a Suno trata a criação individual de conteúdo e a cultura criativa como sinônimos, como se o que Gong faz com um comando e o que Charlie Parker fez em Nova York fossem a mesma coisa.

Jason Morehead, desenvolvedor e fundador da zine Opus, lamenta a desvalorização da conexão humana. Para ele, a música não se trata mais de descobrir conexões com outros humanos e experimentar o mundo através de suas perspectivas, mas sim de reforçar os próprios gostos e preferências da forma mais fácil possível.

O Que Você Precisa Saber Sobre o Caso Suno e a Música por IA

Qual o argumento central da Suno em relação ao uso de material protegido por direitos autorais?

A Suno alega que usar material protegido por direitos autorais para treinar seus modelos de IA se enquadra em “uso justo”, argumentando que a música gerada por IA não compete diretamente com o material original usado no treinamento. Essa alegação tem sido questionada em meio a processos judiciais.

Por que o tweet da investidora da Suno causou polêmica?

O tweet de C.C. Gong, investidora da Suno, admitindo que passou a ouvir mais Suno do que outras plataformas, contradiz a alegação da empresa de que sua plataforma não está fazendo com que usuários abandonem plataformas com músicas licenciadas. Essa contradição pode ser usada em processos judiciais contra a Suno.

Quais as implicações da música por IA para o futuro da criatividade?

A ascensão da música por IA levanta questões sobre o futuro da criação musical e da criatividade humana. As ferramentas de IA reduzem as barreiras de entrada, mas não oferecem uma maneira de criar algo verdadeiramente novo ou original, o que pode levar à desvalorização da cultura criativa e da conexão humana na música.

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