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Deixando os celulares de lado: MWC foca em IA, segurança e ‘soberania’ digital

Deixando os celulares de lado: MWC foca em IA, segurança e ‘soberania’ digital
Vários visitantes do Mobile World Congress 2026, o maior congresso tecnológico do mundo centrado em conectividade, Barcelona. EFE/Toni Albir

Um novo capítulo no Mobile World Congress

O Mobile World Congress (MWC) celebrou sua 20ª edição em Barcelona, marcando um momento de reflexão sobre a evolução da feira ao longo de duas décadas. Longe de ser apenas uma celebração de aniversário, a edição de 2026 revelou uma transformação profunda no evento, impulsionada por tensões globais, políticas de defesa e um cenário mundial marcado por conflitos.

O MWC, que antes se concentrava em conectar o mundo, agora prioriza a proteção da tecnologia contra ameaças. A feira, que já foi sinônimo de lançamentos de smartphones, hoje destaca a cibersegurança, a proteção de infraestruturas críticas e a conectividade via satélite como temas centrais.

Soberania e resiliência no centro dos debates

Os termos “soberania” e “resiliência” dominaram os discursos no MWC 2026. A busca por tecnologias independentes e a capacidade de resistir a adversidades ganharam destaque, antes relegados aos bastidores da indústria de defesa.

No coração do MWC, a Telefónica apresentou a “Mission-Critical Dome”, uma solução para restabelecer a conectividade em áreas afetadas por desastres naturais. Segundo Jesús Abraham, responsável por inovação em Defesa da Telefónica, a tecnologia também tem aplicações militares, com testes já em andamento em colaboração com o Ministério da Defesa e a OTAN.

Tim Höttges, CEO da Deutsche Telekom, ecoou a preocupação com a dependência tecnológica, alertando sobre os riscos de vulnerabilidade. A China Mobile, por sua vez, exibiu soluções para drones, destacando o uso do 5G Avançado na detecção e identificação de alvos.

Fusões e a busca por autonomia tecnológica

As телекомunicações europeias defendem que as regras antitruste da União Europeia prejudicam a competitividade do continente, impedindo fusões e limitando investimentos. Com a crescente importância da soberania tecnológica, o debate ganha força.

A Comissão Europeia sinaliza abertura para modificar as regras, visando fortalecer a competitividade das empresas europeias no cenário global. Henna Virkkunen, vice-presidente executiva da Comissão Europeia para Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia, reconheceu a necessidade de proteger a economia da Inteligência Artificial e garantir a resiliência da Europa.

O governo espanhol também demonstra apoio, com o ministro para Transformação Digital, Óscar López, defendendo a necessidade de empresas europeias potentes para competir na área de inteligência artificial. Um fundo de 100 milhões de euros foi anunciado para incentivar a colaboração entre empresas espanholas e europeias no desenvolvimento de tecnologia “soberana”.

Dependência da tecnologia americana

Apesar dos esforços, as телекомunicações europeias ainda dependem da tecnologia americana. A Open Telco AI, uma aliança para desenvolver inteligência artificial independente, é liderada pela AT&T e pela AMD, empresas americanas.

A iniciativa europeia Satellite Connect Europe, liderada pela Vodafone, também conta com tecnologia americana, com a AST SpaceMobile responsável pela propriedade intelectual e fabricação dos satélites. A decisão crítica sobre o sistema permanece nas mãos da empresa americana.

Tim Höttges, CEO da Deutsche Telekom, declarou seu apreço pelos Estados Unidos, um mercado chave para a empresa, contrastando com as tensões geopolíticas globais.

Impacto global e o futuro do MWC

O MWC 2026 enfrentou desafios com o cancelamento de voos e interrupções de viagens, afetando a participação de expositores e visitantes. A feira, que gera um impacto econômico significativo em Barcelona, está garantida na cidade até 2030.

Ao longo de duas décadas, o Mobile World Congress se transformou, refletindo a passagem do otimismo da revolução digital para o realismo de um mundo em guerra e a busca por autonomia tecnológica.

O Que Você Precisa Saber Sobre o MWC e a Nova Ordem Tecnológica?

Qual a principal mudança no foco do Mobile World Congress (MWC) 2026?

O MWC 2026 marcou uma mudança de foco dos dispositivos móveis e conectividade para a cibersegurança, proteção de infraestruturas críticas e a busca por soberania tecnológica. Isso reflete uma preocupação crescente com a proteção de dados e a resiliência das redes em um mundo cada vez mais digital e interconectado.

Por que os termos “soberania” e “resiliência” ganharam destaque no MWC 2026?

Em um contexto global de tensões geopolíticas e preocupações com a segurança cibernética, a busca por tecnologias independentes e a capacidade de resistir a adversidades se tornaram prioridades. Empresas e governos buscam reduzir a dependência de fornecedores externos e fortalecer a infraestrutura tecnológica para garantir a continuidade dos serviços essenciais.

Qual o impacto da dependência da tecnologia americana nas iniciativas europeias?

Apesar dos esforços para promover a autonomia tecnológica, muitas iniciativas europeias ainda dependem de tecnologia americana, como no caso da Open Telco AI e da Satellite Connect Europe. Isso levanta questões sobre a capacidade da Europa de competir globalmente e garantir a segurança de seus dados e infraestruturas.

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