ONS aprova R$ 39 bilhões para data centers no Sul-Sudeste, enquanto Ceará tem projeto barrado
Aprovação de cinco ‘hyperscale’ data centers da empresa Dataspots evidencia a corrida pela infraestrutura digital no Brasil, mas também expõe o gargalo energético que já afeta projetos no Nordeste.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) deu luz verde para um investimento de R$ 39 bilhões na construção de cinco data centers de grande porte (hyperscale) pela empresa Dataspots. Os projetos, localizados nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, representam um passo crucial para a expansão da infraestrutura digital do Brasil. No entanto, a decisão também joga luz sobre um desafio crítico: a capacidade da rede elétrica nacional de suportar essa nova e voraz demanda por energia.
A aprovação, chamada tecnicamente de “parecer de acesso favorável”, é considerada o passo mais difícil para viabilizar um projeto dessa magnitude. A Dataspots conseguiu uma vantagem competitiva significativa, pois seus pedidos foram protocolados antes de uma nova regulamentação que exige pesados aportes de garantia financeira. Essa isenção torna os projetos extremamente atraentes para investidores, e a empresa já negocia com grandes fundos e players do setor.
A corrida pela energia: O maior gargalo para a ‘nuvem’ no Brasil
A demanda por energia para data centers explodiu no país, impulsionada pela digitalização, serviços de nuvem e, principalmente, pela Inteligência Artificial. Segundo Carla Cassalha, diretora da Dataspots, as solicitações de acesso à rede para esse tipo de empreendimento já somam “15 gigawatts, uma demanda absurda, que o País não suporta”. Os cinco projetos recém-aprovados consumirão, sozinhos, 650 megawatts — energia suficiente para abastecer uma cidade de médio porte.
Esse cenário cria uma verdadeira corrida por acesso à rede elétrica, e nem todos os projetos saem vitoriosos. Em uma decisão recente que serve de alerta, o mesmo ONS negou o acesso à rede para projetos de data centers e hidrogênio verde no Porto de Pecém, no Ceará, estimados em R$ 128 bilhões. O motivo alegado foi a ameaça que uma demanda tão concentrada representaria para a estabilidade do sistema elétrico na região.
Para entender melhor: O que é um Data Center Hyperscale e por que ele precisa de tanta energia?
Para quem não é da área, um “data center” pode parecer apenas um prédio cheio de computadores. Vamos usar uma analogia. Imagine que a internet é uma cidade gigantesca. Um Data Center Hyperscale não é apenas uma casa nessa cidade; ele é a principal usina de energia e a central de correios de um bairro inteiro. Tudo o que você faz online – assistir a um filme na Netflix, pagar com o cartão por aproximação, salvar uma foto na nuvem – depende da resposta ultrarrápida desses “cérebros” digitais. Eles são “hyperscale” porque são enormes e precisam de uma quantidade de energia comparável à de uma cidade pequena para funcionar 24 horas por dia. Por isso, a ONS, que é a “controladora de tráfego” da energia no Brasil, precisa autorizar onde essas “usinas” podem ser construídas, para não causar um blecaute.
O contraste com o Nordeste e o futuro da infraestrutura digital
A aprovação dos projetos no Sul-Sudeste, em contraste com a negativa no Ceará, evidencia um desafio estrutural para o desenvolvimento regional. Enquanto o Nordeste se posiciona como um grande produtor de energia renovável, a infraestrutura de transmissão e a estabilidade da rede ainda são gargalos que podem afastar investimentos bilionários em tecnologia. A chegada de um data center “hyperscale” atrai outras grandes empresas que precisam de baixa latência (tempo de resposta rápido), criando um ecossistema de inovação e desenvolvimento.
A decisão do ONS é, portanto, um sinal de alerta. O futuro do Brasil como uma potência digital depende não apenas de gerar energia limpa, mas de garantir que essa energia possa ser consumida de forma segura e estável em todas as regiões. O desafio para estados como a Paraíba e seus vizinhos é lutar por investimentos que preparem a rede elétrica para competir pela próxima onda de projetos que irão moldar a economia do futuro.
Da redação com informações de agências de notícias de economia
Redação do Movimento PB [GMN-GOO-28082025-224410-B1A3F8-15P]
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