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Ex-Microsoft é taxativo: pensamento computacional é crucial na era da IA

Ex-Microsoft é taxativo: pensamento computacional é crucial na era da IA
Ex-Microsoft crava: pensamento computacional é crucial na era da IA

IA exige mais, não menos, conhecimento fundamental, diz especialista

A ex-conselheira da Microsoft, Maria Klawe, defende que o pensamento computacional é mais vital do que nunca na era da inteligência artificial (IA). Em entrevista à Bloomberg Línea, Klawe, que também é referência em ciência da computação e matemática, enfatizou que a IA generativa elevou a importância de instituições educacionais inovadoras.

Klawe, atualmente conselheira da ITEC (Instituto de Tecnologia e Computação), ressalta a necessidade de diversidade na área, alertando que muitos sistemas de IA foram treinados com dados que refletem predominantemente perspectivas masculinas, o que pode limitar sua utilidade.

Investimento em educação e inclusão

O novo desafio de Maria Klawe é aprender português, motivado por sua recente visita ao Brasil para o lançamento do ITEC, um instituto sem fins lucrativos com um investimento previsto de R$ 400 milhões. O objetivo é oferecer graduação gratuita em Ciência da Computação.

Aos 73 anos, Klawe é uma defensora da educação humanizada e da inclusão e diversidade nas áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática). Ela argumenta que, mesmo com ferramentas de IA generativa capazes de escrever código com comandos simples, o aprendizado de programação se torna ainda mais essencial.

“Não é suficiente aprender a escrever algumas linhas de código em Python ou Java”, afirma Klawe. “O importante é entender os conceitos fundamentais da ciência da computação, o pensamento computacional, para usar as ferramentas de IA e ampliar o que você pode fazer sozinho.”

O papel da diversidade na IA

Klawe também destaca que a diversidade desempenha um papel crucial na criação de novas tecnologias. Segundo ela, equipes com diferentes backgrounds são mais propensas a criar soluções robustas e evitar problemas decorrentes de perspectivas homogêneas.

O ITEC, apoiado por empresários como Marcelo Lacerda e Sérgio Pretto, e fundações como a Behring e a Telles Foundation, oferecerá um curso de ciência da computação inspirado em instituições como Caltech, Carnegie Mellon University e Harvey Mudd College. A primeira turma, com 60 alunos, está prevista para 2027, com bolsas integrais disponíveis.

História de pioneirismo

Maria Klawe tem uma longa trajetória de pioneirismo e luta contra a discriminação de gênero em STEM. Ela foi a primeira professora mulher no Departamento de Ciências da Computação da University of British Columbia e a primeira reitora da Escola de Engenharia em Princeton. No Harvey Mudd College, transformou o ambiente competitivo em algo colaborativo, alcançando 50% de mulheres em todos os cursos de STEM.

Klawe resume sua trajetória como uma vida dedicada a fazer as coisas acontecerem, acreditando que é possível mudar o mundo através da luta e da determinação.

“Eu passei a minha vida inteira sendo a pessoa que decidiu fazer isso acontecer”, disse. “E acho que essa é uma das coisas que me convence de que é possível fazer o ITEC acontecer. Porque, às vezes, você só tem que acreditar, e aí você luta. É parte de como você muda o mundo.”

Da redação do Movimento PB.

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