Soberania em IA: a nova corrida global onde cada país joga com as cartas que tem
Enquanto EUA e China disputam a supremacia em Inteligência Artificial, outras nações como Índia, Emirados Árabes e Reino Unido correm para criar suas próprias capacidades e evitar se tornarem ‘colônias digitais’.
Em meio à acirrada disputa tecnológica entre Estados Unidos e China, um novo conceito se tornou a joia da coroa na geopolítica do século XXI: a Soberania em Inteligência Artificial. A expressão define a capacidade de uma nação de desenvolver e utilizar IA com seus próprios recursos — infraestrutura, dados e talentos — sem depender criticamente de outra potência. Diante do risco de se tornarem meros consumidores de tecnologia estrangeira, países ao redor do mundo estão traçando estratégias distintas para garantir sua autonomia.
A corrida é impulsionada pela postura das duas superpotências. Os EUA buscam restringir o acesso da China a chips avançados, ao mesmo tempo em que consideram exportar seu “pacote completo” de IA para nações aliadas. A China, por sua vez, se posiciona como uma alternativa de código aberto e mais eficiente. Nesse tabuleiro, nações como Índia, Emirados Árabes Unidos e Reino Unido mostram que há diferentes caminhos para alcançar a soberania digital.
Para entender melhor: O que é ‘Soberania em IA’?
Para entender a disputa, primeiro é preciso saber o que significa “Soberania em IA”. Não é apenas sobre ter um chatbot nacional. Vamos usar uma analogia: imagine que a Inteligência Artificial é como a produção de carros. Para ter soberania automotiva, um país precisa de toda a cadeia: (1) Aço e borracha (os chips e a infraestrutura de computação), (2) as fábricas (os data centers), (3) engenheiros e designers (a força de trabalho qualificada), (4) o projeto do motor (os modelos de IA, como o GPT), e (5) as leis de trânsito (a regulação). Ter ‘Soberania em IA’ é dominar esse ecossistema, do chip ao aplicativo, sem ficar refém de fornecedores estrangeiros.
Três caminhos, um objetivo: os modelos da Índia, Emirados Árabes e Reino Unido
Cada país está jogando com as cartas que tem, revelando três estratégias distintas para construir sua soberania:
- Índia – O caminho da autossuficiência: A Índia aposta em construir tudo “dentro de casa”. Seu plano é o mais ambicioso de todos: criar uma infraestrutura massiva de supercomputadores para suas startups e pesquisadores, manter os dados da população em território nacional e, a longo prazo, até mesmo projetar e fabricar seus próprios chips de IA. É o caminho mais difícil, mas o que garante maior autonomia.
- Emirados Árabes – O caminho da parceria estratégica: Ricos em energia, mas com uma população pequena, os Emirados Árabes tentaram inicialmente investir em tecnologia chinesa e americana, mas foram forçados pelos EUA a escolher um lado. Agora, sua estratégia é usar seus vastos recursos para se tornar o melhor parceiro dos EUA, importando a tecnologia de ponta de empresas como Microsoft e OpenAI para se transformar em um hub regional de IA.
- Reino Unido – O caminho do potencial doméstico: O Reino Unido já tem cérebros brilhantes e universidades de ponta, mas lhe falta a “musculatura” da infraestrutura computacional. Sua aposta é atrair investimentos bilionários de empresas americanas para construir os data centers em seu território, na esperança de que isso impulsione o ecossistema local de startups e aproveite sua forte base de pesquisa.
Esses três exemplos ilustram a “escolha desconfortável” que muitas nações, incluindo o Brasil, enfrentam. Alinhar-se aos EUA garante acesso à tecnologia mais avançada, porém mais cara e de código fechado. A China oferece uma alternativa mais barata e aberta, mas com seus próprios riscos geopolíticos. O sucesso de cada nação dependerá de sua capacidade de equilibrar a dependência tecnológica com a relevância estratégica, em um jogo que definirá quem serão os produtores e quem serão os consumidores na nova era da Inteligência Artificial.
Da redação com informações de institutos de pesquisa em geopolítica
Redação do Movimento PB [GMN-GOO-29082025-121401-E8A4B2-15P]
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