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Físicos medem o tempo quântico sem usar relógios externos

Físicos medem o tempo quântico sem usar relógios externos
Físicos medem o tempo quântico sem usar relógios externos

A natureza esquiva do tempo quântico

No mundo dos átomos, o tempo se comporta de maneira peculiar, desafiando nossa compreensão clássica. Em vez de um fluxo constante e uniforme, o tempo quântico pode apresentar setas opostas, movendo-se tanto para o futuro quanto para o passado. Essa natureza complexa dificulta a medição precisa da duração dos eventos em escala quântica, onde processos ultrarrápidos ocorrem em attossegundos (10-18 segundos).

Para ilustrar, eventos como o tunelamento quântico ou a transição de um elétron para um novo estado de energia após absorver um fóton podem ocorrer em frações incrivelmente pequenas de tempo. De acordo com o professor Hugo Dil, da Escola Politécnica Federal de Lausanne, o advento da mecânica quântica não simplificou o problema do tempo, tornando crucial a elucidação da escala de tempo associada a uma transição quântica.

Nova técnica de medição

Uma equipe de pesquisadores desenvolveu uma técnica inovadora para medir a duração de eventos quânticos ultrarrápidos sem depender de relógios externos. Essa descoberta representa um avanço significativo na compreensão do papel do tempo na mecânica quântica.

O método baseia-se na análise das mudanças no spin dos fótons reemitidos por um material após a absorção de luz. Ao examinar como esse padrão de spin se altera conforme a energia do elétron varia, os cientistas conseguiram calcular a duração da transição, eliminando a necessidade de uma referência de tempo externa. Essa abordagem inovadora abre novas portas para a investigação do comportamento dos elétrons em materiais complexos.

Influência da estrutura atômica

Para validar a técnica, a equipe realizou experimentos com materiais de estruturas atômicas distintas, incluindo o cobre tridimensional e materiais bidimensionais como o disseleneto de titânio (TiSe2) e o ditelureto de titânio (TiTe2). Os resultados revelaram que a duração do evento quântico depende fortemente da estrutura atômica do material. Quanto mais simples e reduzida a estrutura, maior a duração da transição. No cobre, a transição foi extremamente rápida, durando cerca de 26 attossegundos, enquanto nos materiais em camadas o processo foi mais lento, ultrapassando 200 attossegundos no CuTe.

Implicações para o futuro da tecnologia

Além de aprofundar nossa compreensão do tempo na física quântica, essa nova técnica oferece uma ferramenta valiosa para estudar o comportamento dos elétrons em materiais complexos. A capacidade de determinar a duração de uma transição quântica pode impulsionar o desenvolvimento de materiais com propriedades personalizadas, abrindo caminho para tecnologias futuras que dependam do controle preciso dos estados quânticos.

O que você precisa saber

Como o tempo se comporta no reino quântico?

No reino quântico, o tempo se comporta de maneira diferente do que estamos acostumados em nosso mundo cotidiano. Ele pode apresentar setas opostas, fluindo tanto para o futuro quanto para o passado, e os processos ocorrem em velocidades incrivelmente rápidas, medidas em attossegundos (10-18 segundos).

Qual a importância de medir o tempo quântico?

Medir o tempo quântico é crucial para entender e controlar os processos que ocorrem em escala atômica. Essa compreensão pode levar ao desenvolvimento de novas tecnologias e materiais com propriedades personalizadas.

Quais são as aplicações dessa nova técnica de medição?

A nova técnica de medição do tempo quântico pode ser usada para estudar o comportamento dos elétrons em materiais complexos e para projetar materiais com propriedades personalizadas. Isso pode impulsionar o desenvolvimento de tecnologias futuras que dependam do controle preciso dos estados quânticos.

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