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TikTok turbina data centers no Ceará: Por que a ByteDance fez esse movimento?

TikTok turbina data centers no Ceará: Por que a ByteDance fez esse movimento?
TikTok turbina data centers no Ceará: Por que a ByteDance fez esse movimento?

A gigante chinesa aposta alto em infraestrutura digital no Nordeste

A ByteDance, empresa por trás do fenômeno TikTok, acaba de dar um passo estratégico no Brasil. A companhia obteve autorização para adquirir a totalidade das ações da ExportData Company I S.A., empresa responsável pela construção de cinco modernos data centers no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp), no Ceará.

A decisão, que passou pelo crivo do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportação (CZPE), ambos sem contestações, sinaliza a forte aposta da ByteDance no potencial da região.

O que motivou a compra?

Especialistas apontam que o complexo de data centers surge como uma resposta à crescente demanda por energia na região, superando, em agilidade, os projetos de Hidrogênio Verde. Eduardo Tude, presidente da Teleco, acredita que a ByteDance pretende utilizar os data centers quase que exclusivamente para suas operações.

Rodrigo Porto, professor da UFC, ressalta a importância do projeto, que considera ser “maior do que se imaginava”. Para ele, o controle total da ByteDance garante a segurança jurídica necessária para a empresa tocar o projeto de acordo com seus rigorosos padrões internacionais de qualidade.

“Muda a característica tradicional do Pecém e transforma-o em um polo também digital, com produção de riqueza a nível global”, completa Porto, destacando o novo patamar de destaque que o Ceará alcança no cenário tecnológico.

Cade não vê problemas de concorrência

Em sua análise, o Cade concluiu que a operação não representa riscos à concorrência, uma vez que não há sobreposição de atividades entre a ByteDance e a ExportData. A aquisição, segundo a ByteDance, é a forma mais rápida de viabilizar a exportação de atividades de processamento de dados, enquanto para a Casa dos Ventos (antiga sócia no empreendimento), representa uma oportunidade de expansão de seus projetos de geração de energia renovável no Brasil.

Investimentos bilionários

Estima-se que o investimento total no data center da ByteDance gire em torno de R$ 200 bilhões. Os outros quatro equipamentos, de propriedade da ExportData, devem receber um aporte adicional de R$ 350 bilhões.

Próximos passos

Com a autorização do CZPE, a nova proprietária da ExportData tem até abril para apresentar a documentação societária atualizada. A expectativa é que as obras do primeiro data center comecem ainda em janeiro, com previsão de entrada em operação em 2027.

Pecém: um novo polo digital?

A ExportData Company I S.A., sediada em Maracanaú, será a responsável pelos data centers, enquanto a Omnia, subsidiária do fundo Pátria, cuidará da construção e operação dos empreendimentos. Um processo similar ocorreu com a CDV DC I S.A., também fruto de parceria entre a Casa dos Ventos e a Omnia, que agora detém o controle total da empresa.

A Casa dos Ventos confirmou que será a fornecedora exclusiva de energia para o projeto, mas não divulgou os valores envolvidos na transação. Omnia e ByteDance não se manifestaram até o momento.

Da redação do Movimento PB.

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