Por redação do Movimento PB – Atualizada em 10:11 de 02/04/2025
A atração física é um fator determinante nas dinâmicas de relacionamentos, mas será que a beleza, por si só, garante uma parceria duradoura? Segundo Halima Jibril, em análise publicada na Dazed Digital, a resposta é mais complexa do que um simples “sim” ou “não”. Estudos indicam que o chamado “capital erótico” — um conceito desenvolvido pela socióloga Catherine Hakim — pode influenciar não apenas a vida amorosa, mas também a trajetória profissional e social de um indivíduo. No entanto, essa influência não opera isoladamente: outros aspectos, como carisma, inteligência e compatibilidade emocional, entram na equação.
A ideia de que a beleza física é um passaporte direto para o sucesso nos relacionamentos se desdobra em nuances. A psicologia evolutiva sugere que características físicas tidas como atraentes indicam saúde e fertilidade, o que explicaria, em parte, sua importância na escolha de parceiros. Mas, em tempos de redes sociais e construção digital da identidade, o que é considerado belo se tornou ainda mais condicionado por padrões culturais e tendências momentâneas. Isso gera um paradoxo: enquanto a beleza pode ser uma vantagem inicial, relações sustentáveis demandam elementos mais profundos, como compatibilidade emocional e valores compartilhados.

A análise de Jibril também dialoga com a estética das figuras femininas hiperperfeitas criadas por Milo Manara, cujas personagens incorporam uma idealização do desejo e do erotismo. Seu traço estilizado e a ênfase em proporções impossíveis refletem uma visão quase mitológica da mulher sedutora, amplificando a ideia de um capital erótico absoluto. No entanto, essa representação também evidencia como a sociedade constrói padrões irreais de beleza que podem gerar tanto fascínio quanto frustração. Se, por um lado, a estética de Manara encapsula um ideal irresistível, por outro, ela reforça a noção de que a aparência é um bem de valor social, frequentemente colocado acima de outras qualidades subjetivas.

Dessa forma, ainda que a beleza tenha um papel significativo na formação de laços românticos e sociais, sua influência está longe de ser definitiva. A atração física pode abrir portas, mas a profundidade emocional, a conexão intelectual e a construção de intimidade são os verdadeiros pilares de uma parceria duradoura. O capital erótico, assim, opera como um elemento de impacto imediato, mas não como a garantia de um relacionamento sólido e significativo.
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Esta materia foi traduzida e compilada pela nossa redação do original: Does beauty make people good …