Escritora Radical Troca IA por Cabras e Choca o Mundo Literário com Livro Brutal

Da Inteligência Artificial às Montanhas: A Reviravolta de Violaine Bérot
Violaine Bérot, ex-engenheira de computação especializada em inteligência artificial, surpreendeu a todos ao trocar a tecnologia pela vida isolada nas montanhas dos Pirineus, criando cabras e escrevendo obras impactantes. Seu livro, “Feito Bestas”, lançado no Brasil pela editora Mundaréu, é um mergulho intenso na maternidade e nos mistérios da vida isolada.
“Feito Bestas”: Um Conto de Fadas Noir
A obra, que pode ser vista como uma continuação de “Tombée des Nues”, explora temas como isolamento, maternidade e os desafios enfrentados por mulheres independentes. Em “Feito Bestas”, acompanhamos Mariette, mãe de Urso, um jovem especial que ela protege do mundo exterior nas montanhas. Vinte anos depois, a descoberta de uma menina vivendo com eles desencadeia uma investigação policial, revelando um intrincado painel da sociedade local.
Com uma narrativa polifônica, o livro apresenta 14 vozes que depõem para a polícia, desvendando mistérios e expondo a complexidade das relações humanas. A escritora argentina Mariana Enríquez descreve a obra como um “conto de fadas noir”, onde a realidade se mistura ao folclore local, como a lenda da “gruta das fadas”, que criariam crianças roubadas de suas famílias.
Maternidade, Abuso e Alteridade: As Questões Perturbadoras de Bérot
Bérot não tem medo de abordar temas difíceis. Uma das vozes do livro é a de uma vítima de estupro, levantando questões sobre o custo da maternidade para as mulheres e os limites da alteridade. Seriam as fadas uma metáfora para o escape das mulheres abusadas e abandonadas?
A estrutura polifônica do romance permite múltiplas interpretações, deixando para o leitor a tarefa de tirar suas próprias conclusões. “Feito Bestas” é uma obra curta, porém profunda, que ecoa com outros lançamentos recentes, como “Te Dei Olhos e Olhaste as Trevas”, de Irene Solà, e “Triste Tigre”, de Neige Sinno, criando um diálogo entre narrativas femininas e brutais.
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Essas três obras, cada uma à sua maneira, exploram a dureza da vida e a força das mulheres em ambientes agrestes, convidando o leitor a uma reflexão sobre a condição humana.
Da redação do Movimento PB.
