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HarbourView garante fatia de ‘Thriller’ em compra do catálogo de Quincy Jones

HarbourView garante fatia de ‘Thriller’ em compra do catálogo de Quincy Jones
Quincy Jones in 2016 AXELLE/BAUER-GRIFFIN/FILMMAGIC

A consolidação de um império sonoro

A HarbourView Equity Partners anunciou a aquisição de uma fatia substancial do catálogo de Quincy Jones, um dos arquitetos fundamentais da música pop moderna. O acordo, fechado com os herdeiros do produtor falecido em novembro de 2024, abrange não apenas suas composições originais, mas também sua valiosa participação nos três álbuns mais icônicos de Michael Jackson: Off The Wall, Thriller e Bad.

A transação não se limita a royalties de gravações. Ela inclui direitos de publicação sobre obras seminais como “Soul Bossa Nova” e o hit de George Benson, “Give Me the Night”. Além da música, a HarbourView passa a deter interesses auxiliares em ativos de entretenimento, como a participação de Jones na produção executiva da série The Fresh Prince of Bel-Air (Um Maluco no Pedaço).

O valor estratégico da produção cultural

A importância deste catálogo reside na onipresença de Jones na cultura popular. Estima-se que o produtor detivesse cerca de 10% de royalties básicos sobre os discos de Michael Jackson, uma cifra astronômica considerando que esses álbuns venderam mais de 100 milhões de cópias globalmente. Sherrese Clarke, CEO da HarbourView, destacou que a empresa se vê agora como “guardiã de um cânone” destinado a atravessar gerações.

O alcance do acordo também se estende ao hip-hop contemporâneo através de samples. Estão incluídas participações em faixas como “Good Life”, de Kanye West (que utiliza o sample de “P.Y.T.”), e “How Do U Want It”, de Tupac Shakur. Essa rede de direitos demonstra como a visão de Jones antecipou o modelo de negócios multiplataforma décadas antes do termo se tornar comum no Vale do Silício.

  • Michael Jackson: Participação nos lucros de Thriller, o álbum mais vendido da história.
  • TV e Cinema: Temas de Sanford and Son e Ironside, além de créditos em grandes produções.
  • Samples: Direitos sobre obras de artistas modernos que utilizaram a base de Jones.

Preservação de legado e inovação

Para os filhos do produtor, como Rashida Jones e Quincy Jones III (QD3), a venda representa uma forma de proteger a integridade da obra do pai enquanto se utiliza a tecnologia para expandir seu alcance. “Nosso pai não apenas criou sucessos; ele construiu plataformas que moldaram a cultura”, afirmou QD3, ressaltando o papel de Jones como um visionário que integrou música, tecnologia e mídia de forma ética.

O Que Você Precisa Saber

O espólio de Michael Jackson participou da venda?

Não. A HarbourView confirmou que a negociação foi estritamente com a família de Quincy Jones. Embora os ativos envolvam as obras de Jackson, o espólio do cantor não teve envolvimento direto na transação.

Qual o impacto dessa venda para o mercado?

A aquisição reforça a tendência de fundos de investimento adquirirem catálogos de “blue chips” da música — artistas cujas obras geram receita constante e resiliente a crises econômicas, funcionando como uma classe de ativos estável.

Quais outros artistas a HarbourView gerencia?

A empresa já possui em seu portfólio obras de nomes como Kelly Clarkson, Christine McVie (Fleetwood Mac), T-Pain e Kane Brown, consolidando-se como uma das maiores detentoras de propriedade intelectual criativa da atualidade.

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