Antes de virar o ‘Rei do Ritmo’, vendia pães: a saga de Jackson do Pandeiro

A Origem Humilde do Gênio Musical
José Gomes Filho, o lendário Jackson do Pandeiro, não surgiu do nada. Nascido em Alagoa Grande, Paraíba, sua história é um testemunho de como a paixão e a influência cultural podem transformar um jovem comum em um ícone. Contrariando o que muitos pensam, Jackson não iniciou sua jornada musical diretamente com o pandeiro, mas sim como padeiro.
Do Tamborim ao Pandeiro: Uma Transição Decisiva
Após um período trabalhando na panificadora, Jackson começou a tocar tamborim, um passo inicial em direção ao mundo da percussão. Em seguida, tentou a bateria, mas sua paixão pela música brasileira, como samba, xote, xaxado e coco, o impediu de se adaptar aos ritmos estrangeiros populares na época, como o fox e o blues. Ele mesmo reconheceu sua dificuldade com o “rufo”, um toque fundamental na bateria.
A virada aconteceu quando Jackson trocou a bateria pelo pandeiro, influenciado por seu cunhado, José Lacerda. Mesmo ganhando menos, Jackson estava determinado a se tornar um mestre do pandeiro. Sua dedicação e talento logo o destacaram, tornando-o um dos melhores percussionistas de Campina Grande.
Influências Americanas e a Busca pela Identidade Brasileira
Uma entrevista preservada no Arquivo Nacional revela como a cultura americana, especialmente os filmes de bang-bang, influenciaram o jovem Jackson. Ele adotou o nome “Jack Perrin” em homenagem aos artistas americanos da época do cinema mudo. No entanto, sua verdadeira identidade musical floresceu ao se conectar com as raízes brasileiras, impulsionado pelas cantorias de coco de sua mãe.
A Ascensão do ‘Rei do Ritmo’
Com o pandeiro, Jackson encontrou seu caminho. Sua habilidade única e seu balanço inconfundível o levaram aos palcos e o consagraram como um dos maiores artistas do Brasil. Como ele mesmo disse, seu pandeiro foi seu companheiro por 40 anos, o instrumento que lhe deu tudo.
A Humildade e a Paixão de um Mestre
A história de Jackson do Pandeiro é uma inspiração. Sua trajetória, da panificação aos palcos, mostra que a paixão pela cultura brasileira e a dedicação ao aprendizado podem transformar um talento bruto em um tesouro nacional. Sua música continua a encantar e a influenciar gerações, mantendo vivo o legado do ‘Rei do Ritmo’.
Da redação do Movimento PB.
