Cultura

Animação chinesa ‘Ne Zha 2’ supera ‘Titanic’ em bilheteria global

Animação chinesa ‘Ne Zha 2’ supera ‘Titanic’ em bilheteria global
Animação chinesa ‘Ne Zha 2’ supera ‘Titanic’ em bilheteria global

O filme de animação chinês “Ne Zha 2” alcançou um marco histórico nas bilheterias globais, ultrapassando o icônico épico “Titanic” de James Cameron e se posicionando como o 4º filme de maior arrecadação de todos os tempos. A marca foi confirmada em 8 de abril de 2026, segundo dados da plataforma Maoyan.

Um Fenômeno de Bilheteria

Com uma receita mundial que atingiu impressionantes US$ 2,27 bilhões, “Ne Zha 2” deixou para trás o sucesso de 1997, que arrecadou mais de US$ 2,25 bilhões em sua trajetória inicial. O lançamento do filme nos cinemas chineses ocorreu em 29 de janeiro de 2025, impulsionando rapidamente sua ascensão nas paradas globais.

A Continuidade de um Herói Mitológico

O primeiro filme, lançado em 2019, apresentou a história de Ne Zha, um garoto agraciado com poderes divinos, mas marginalizado por sua vila. Com uma bilheteria de US$ 726 milhões, foi o 12º filme de maior arrecadação global naquele ano. A narrativa original já mesclava elementos da rica cultura e mitologia chinesa com toques de modernidade, como portais de reconhecimento facial.

A sequência, “Ne Zha 2”, aprofunda a jornada do jovem herói, explorando seus desafios internos na busca por seu lugar no mundo e o confronto com seu destino. A produção combina cenas de ação empolgantes com temas existenciais, ressoando fortemente com o público jovem chinês, que se identifica com as lutas do protagonista.

Raízes na Mitologia e Crítica Velada

“Ne Zha 2” baseia-se na saga “Fengshen Yanyi”, ou “A Criação dos Deuses”, um romance histórico da dinastia Ming. A lenda narra a história de Ne Zha, uma figura mitológica destinada à destruição, que se transforma em um herói contra as forças do mal. A animação foi elogiada por sua fidelidade à lenda, ao mesmo tempo que introduz paralelos com o contexto geopolítico contemporâneo.

Críticos e analistas, como os do China Academy, apontam que o filme pode ser interpretado como uma crítica sutil aos Estados Unidos. Elementos visuais, como os totens que conferem status de “imortal” aos seguidores do vilão, guardam semelhanças com o emblema nacional americano. Essa representação, associada a uma classe que se mostra virtuosa, mas que impõe suas vontades e desconsidera vidas, ecoou em meio às tensões comerciais entre China e EUA, intensificadas durante a gestão de Donald Trump.

Embora lançado antes do início formal da guerra comercial, as referências do filme ganharam força após as tarifas impostas pelos EUA, classificadas pela China como “bullying” econômico. “Ne Zha 2” foi, assim, recebido por parte do público chinês como uma expressão de nacionalismo e um contraponto à percepção de “ameaça norte-americana”.

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