Netflix expõe novo líder de seita após Warren Jeffs em ‘Trust Me’

Nova série documental da Netflix, ‘Trust Me: The False Prophet’, mergulha nas entranhas da FLDS e na ascensão de Samuel Bateman.
Vinte anos após a prisão de Warren Jeffs, o autoproclamado profeta da Fundamentalist Church of Jesus Christ of Latter-Day Saints (FLDS), uma nova série documental na Netflix, ‘Trust Me: The False Prophet’, revela um escândalo perturbador. A produção acompanha dois cineastas que se infiltraram na comunidade isolada de Short Creek, Utah, e expuseram Samuel Bateman, um homem que se apresentou como herdeiro espiritual de Jeffs e continuou um padrão de abuso contra menores.
A série, dirigida por Rachel Dretzin, que também dirigiu ‘Keep Sweet: Pray and Obey’ em 2022, detalha como Bateman, após a prisão de Jeffs em 2011 por agressão sexual e abuso de menores, explorou a vulnerabilidade de seus seguidores. Ele alegou ser o sucessor de Jeffs e que Deus lhe indicava novas esposas. Bateman chegou a se casar com 23 mulheres, nove delas menores de idade, perpetuando um ciclo de exploração em uma comunidade já fragilizada.
A infiltração dos cineastas e a busca por provas
Tolga Katas e Christine Marie, o casal por trás de ‘Trust Me’, mudaram-se para Utah em 2016 com o pretexto de filmar um documentário sobre Bateman e seus ensinamentos. Utilizando essa fachada, eles gradualmente ganharam a confiança do líder e de suas esposas, buscando obter evidências de seus crimes. A série compila horas de filmagens pessoais do casal com entrevistas cruciais de ex-membros da comunidade, incluindo duas vítimas de Bateman, detalhando como a arrogância do líder o levou à sua eventual condenação.
Em 2024, Samuel Bateman, então com 48 anos, foi condenado por abuso sexual de meninas de até nove anos e sentenciado a 50 anos de prisão. A investigação policial, no entanto, enfrentou obstáculos significativos. Sgt. David Wilkinson, do Departamento de Polícia de Colorado City-Hildale, explicou na série que, embora a polícia acreditasse na veracidade das filmagens, eram necessárias provas mais contundentes para um mandado de prisão. A complexidade do caso era agravada pela influência de Bateman, que frequentemente casava com as mães das jovens para usar a presença delas como escudo contra as autoridades.
O controle pós-prisão e a luta pela recuperação
Mesmo após sua prisão em setembro de 2022, Bateman manteve um controle assustador sobre seus seguidores. As nove menores vítimas foram resgatadas e testemunharam contra ele, mas muitas das mulheres adultas que o seguiam continuaram a defender Bateman, chegando a orquestrar o sequestro das menores após sua libertação. A série destaca que, mesmo da prisão, Bateman manteve contato próximo com seus seguidores, demonstrando a persistência do controle mental.
A documentarista Rachel Dretzin ressalta que, apesar da libertação das menores, a maioria das mulheres adultas da comunidade ainda vive sob a influência de Bateman. Ela expressa esperança de que o documentário possa ajudar a desvencilhar alguns desses seguidores do controle que ele exerce, oferecendo um vislumbre sombrio da resiliência de seitas e do impacto duradouro de seus líderes.
Mostrar FAQ
O Que Você Precisa Saber Sobre ‘Trust Me: The False Prophet’
Q: Quem é Samuel Bateman?
A: Samuel Bateman é o líder de uma seita e o sujeito do documentário da Netflix ‘Trust Me: The False Prophet’. Ele se apresentou como o sucessor de Warren Jeffs, líder da FLDS, e foi condenado por abuso sexual de menores, recebendo uma sentença de 50 anos de prisão.
Q: Como os cineastas obtiveram as provas?
A: Tolga Katas e Christine Marie se infiltraram na comunidade FLDS, fingindo produzir um documentário sobre Bateman. Essa fachada permitiu que eles ganhassem confiança e filmassem secretamente as atividades de Bateman e de seus seguidores, coletando provas cruciais para as autoridades.
Q: Qual o impacto da prisão de Bateman em seus seguidores?
A: Apesar da prisão e condenação de Bateman, muitos de seus seguidores, especialmente as mulheres adultas, continuam sob sua influência. A série documenta como essa influência persiste, mesmo com Bateman preso, e como algumas seguidoras chegaram a cometer crimes para protegê-lo.
