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Sienna Rose: a cantora ‘fake’ que virou hit no streaming?

Sienna Rose: a cantora ‘fake’ que virou hit no streaming?
Sienna Rose: a cantora ‘fake’ que virou hit no streaming?

Quem é Sienna Rose?

Janeiro está sendo um mês de ouro para Sienna Rose. Três de suas músicas, com toques de soul e jazz, invadiram o Top 50 Viral do Spotify. O hit “Into the Blue”, uma balada que gruda no ouvido, já ultrapassou cinco milhões de plays. Mas, por trás do sucesso, uma sombra de dúvida paira sobre a artista: será que Sienna Rose é real?

O Deezer, plataforma que desenvolveu ferramentas para identificar músicas criadas por inteligência artificial, revelou à BBC que vários álbuns e canções de Sienna Rose foram detectados e marcados como gerados por computador. Uma análise mais aprofundada revela os indícios de uma artista fabricada pela IA.

Os sinais que levantam suspeitas

Sienna Rose não tem redes sociais, nunca fez um show, não possui vídeos e lançou uma quantidade absurda de músicas em um curto período. Entre setembro e dezembro de 2025, foram pelo menos 45 faixas nos serviços de streaming – um ritmo que nem mesmo o incansável Prince conseguiria igualar.

As músicas de Sienna Rose, como “Into the Blue” e “Breathe Again”, lembram o estilo de Norah Jones e Alicia Keys, com guitarras jazzísticas e vocais suaves. No entanto, muitos ouvintes identificaram “artefatos de IA” nas faixas. Em “Under the Rain” e “Breathe Again”, por exemplo, um chiado constante percorre toda a canção – uma característica comum em músicas geradas por aplicativos como Suno e Udio.

Segundo Gabriel Meseguer-Brocal, cientista do Deezer, esses erros funcionam como impressões digitais, revelando qual software foi usado para criar a música. Para o ouvinte comum, outros sinais também chamam a atenção, como a bateria repetitiva, letras sem muita inspiração e uma cantora que nunca sai da melodia.

Reações e polêmicas

O som “genérico” de Sienna Rose despertou a desconfiança de muitos. “Eu gostei, mas senti algo estranho”, comentou o crítico Elosi57 no TikTok. “Fui pesquisar o perfil dela e cheguei à conclusão de que é IA.” A apresentadora Gemma Cairney também notou algo irreal nas fotos da cantora e sentiu falta de “alma no soul” de suas músicas.

Apesar das críticas, Sienna Rose tem seus fãs. Selena Gomez chegou a usar a música “Where Your Warmth Begins” em um post no Instagram, mas a removeu após a polêmica. A possibilidade de Sienna Rose não ser real decepcionou muitos ouvintes. “Por favor, digam que ela existe de verdade”, implorou um fã no Threads.

Royalties a custo zero?

É claro que Sienna Rose pode ser uma cantora de verdade que prefere o anonimato, mas a situação levanta questões importantes sobre a indústria musical. A IA está permitindo que artistas artificiais concorram com músicos reais. Na Suécia, uma música que chegou ao topo das paradas foi banida após descobrirem que o artista, Jacub, não existia.

O lançamento de uma cantora como Sienna Rose tem um custo quase nulo, mas seus royalties podem chegar a R$ 14,5 mil por semana. Em comparação, as gravadoras de K-pop investem cerca de R$ 5,4 milhões por membro de banda anualmente. O apelo da inteligência artificial é inegável.

O futuro da música

Várias músicas de Sienna Rose têm como crédito a gravadora Broke, conhecida por transformar artistas virais em estrelas. A Broke já se envolveu em polêmicas ao criar uma música com a voz clonada da cantora Jorja Smith. A música foi removida, mas regravada com vocais humanos e chegou ao top 10 das paradas britânicas.

O Deezer afirma que 34% das músicas enviadas para publicação são geradas por IA. A revolta contra a música feita por inteligência artificial está crescendo. Artistas como Paul McCartney e Kate Bush lançaram um “álbum silencioso” em protesto contra o uso de seu trabalho para treinar modelos de IA sem autorização.

A cantora Raye acredita que os fãs sempre preferirão músicas de verdade. “Não componho para ser a melhor compositora, mas para contar a minha história”, declarou. O músico Kojey Radical também não se preocupa com a IA: “Não tenho medo dos robôs. Vou vencê-los.”

Da redação do Movimento PB.

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