Novo bloco econômico global desafia Trump e une Europa e América do Sul

União Europeia e Mercosul criam zona de livre comércio
Em um movimento que contrasta com a postura protecionista dos Estados Unidos, a União Europeia (UE) e o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) firmaram um acordo comercial histórico. A parceria cria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, conectando um mercado de mais de 700 milhões de pessoas.
Acordo expõe isolamento dos EUA na economia global
Enquanto a Europa aprofunda a colaboração econômica, os Estados Unidos, sob a liderança de Trump, mostram preferência por coerção. Em Bruxelas, líderes europeus negociaram concessões para viabilizar o acordo. Paralelamente, Trump autorizou ações militares na Venezuela e ameaçou outros países da América Latina.
Estratégia de Trump impulsionou acordo UE-Mercosul
Paradoxalmente, a postura agressiva de Trump e suas guerras comerciais contribuíram para destravar o acordo entre a UE e o Mercosul, que estava em negociação há 25 anos. Países de todo o mundo têm buscado parcerias comerciais que excluam os Estados Unidos.
“Trump está criando um mundo sem a América”, afirma Robert Z. Lawrence, professor de comércio internacional da Universidade de Harvard. Ele ressalta que o isolamento dos EUA não se restringe ao comércio.
Apesar de protestos, acordo avança com concessões
O acordo entre UE e Mercosul enfrentou forte oposição de setores agrícolas e ambientalistas na Europa. Produtores europeus temem a concorrência de produtos sul-americanos, que não atendem aos mesmos padrões de qualidade. Em Paris, agricultores protestaram contra o acordo, bloqueando vias com tratores.
Para superar resistências, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ofereceu concessões de última hora, incluindo acesso antecipado a 45 bilhões de euros em ajuda agrícola. A estratégia funcionou, garantindo o apoio da maioria dos países membros da UE.
Líderes celebram acordo histórico
Von der Leyen classificou o acordo como uma prova de que “a Europa traça seu próprio curso e se mantém como um parceiro confiável”. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, celebrou o acordo como um “dia histórico para o multilateralismo”.
Disputa geopolítica em foco
O acordo comercial ocorre em um contexto de crescente disputa geopolítica entre Estados Unidos e China. Enquanto Trump considera a América Latina como seu “quintal”, a China expande sua influência na região por meio de investimentos e acordos comerciais.
A China é o maior parceiro comercial da América do Sul, financiando a construção de infraestrutura em diversos países. Além disso, mais de 20 países da região aderiram à iniciativa chinesa “Belt and Road”.
Europa como alternativa
Para países como o Brasil, que buscam parcerias comerciais baseadas em regras claras e mercados abertos, “a Europa é a única opção”, afirma Jacob Kirkegaard, pesquisador do Peterson Institute for International Economics. Ele argumenta que nem os Estados Unidos nem a China estão interessados em seguir as regras do comércio internacional.
Da redação do Movimento PB.
