China quer derrubar o dólar: Xi Jinping defende renminbi global

O presidente da China, Xi Jinping, intensifica sua defesa para que o renminbi (RMB) se estabeleça como uma moeda de reserva global. A iniciativa representa um movimento estratégico de Pequim para expandir sua influência financeira no cenário internacional e, crucialmente, diminuir a dependência do dólar americano.
A Ambição de uma “Moeda Poderosa”
Em um texto publicado na revista Qiushi, órgão teórico do Partido Comunista Chinês, datado de 31 de janeiro de 2026, Xi Jinping articulou sua visão de construir uma “moeda poderosa”. Ele argumenta pela necessidade de um uso mais amplo do renminbi em transações comerciais, investimentos e mercados de câmbio. Essa declaração sublinha a clara ambição do líder chinês em posicionar a moeda de seu país em um patamar de maior destaque no sistema monetário global.
Para Xi, a ascensão do renminbi está intrinsecamente ligada ao fortalecimento das instituições financeiras domésticas. Ele enfatiza a importância de um banco central robusto, de instituições financeiras competitivas e da criação de centros financeiros capazes de atrair capital global. Tais medidas seriam fundamentais para solidificar a posição do RMB.
Contexto de Incerteza e Desafios
O posicionamento de Xi Jinping surge em um período de crescente incerteza nos mercados internacionais, marcado pela volatilidade do dólar e por mudanças na política monetária dos Estados Unidos. Autoridades chinesas veem esse cenário como uma janela de oportunidade para acelerar o processo de internacionalização de sua moeda. Para o líder chinês, a diversificação do sistema monetário mundial é essencial para mitigar os riscos associados à hegemonia do dólar.
Apesar das intenções chinesas, a presença do renminbi nas reservas internacionais ainda é modesta. Atualmente, o RMB corresponde a apenas cerca de 2% das reservas globais oficiais, um percentual significativamente inferior ao do dólar (57%) e do euro (20%).
Obstáculos e Visões de Futuro
Os principais entraves para uma adoção mais ampla do renminbi incluem a falta de plena conversibilidade e os rígidos controles sobre a conta de capital, que continuam a ser barreiras importantes para bancos centrais estrangeiros. A complexidade do sistema monetário chinês, onde o renminbi é o nome do sistema e o yuan a unidade de conta, também adiciona uma camada de particularidade.
O presidente do Banco Popular da China (PBOC), Pan Gongsheng, já sinalizou que o mundo caminha para uma ordem monetária multipolar. Nesse cenário, o renminbi estaria em posição de disputar espaço com outras moedas fortes. Especialistas consultados pelo Financial Times corroboram que o discurso de Xi indica uma estratégia de longo prazo. Contudo, a consolidação do renminbi como moeda de reserva exigirá reformas profundas no sistema financeiro chinês, além de maior previsibilidade regulatória e uma abertura mais significativa ao capital estrangeiro.
Da redação do Movimento PB.
