Por Redação do Movimento Pb
Nicola Gunby tinha 27 anos quando percebeu uma verdade incômoda: conhecer novas pessoas na vida adulta é difícil. Recém-chegada a Londres após viver na Austrália, ela se viu isolada, tentando forçar conexões em eventos de networking frios e grupos ultrapassados no Facebook. A solidão, que afeta uma em cada cinco pessoas no mundo segundo a Gallup, virou a dor que ela decidiu resolver — e transformar em negócio.
Hoje, aos 30, Gunby é fundadora do Cliq, uma rede social com um modelo simples e poderoso: promover amizades reais fora das telas, a partir de interesses em comum. A proposta conquistou 100 mil usuários em países como EUA, Austrália e Indonésia — e atraiu R$ 3,8 milhões na rodada inicial de investimento, superando as metas da startup.
Conectando pessoas, não perfis
Ao lado do parceiro Jason Iliffe, Gunby contratou uma agência para rodar o MVP do aplicativo em universidades britânicas. A lógica era clara: unir pessoas com interesses compartilhados em eventos presenciais. O Cliq nasceu oficialmente em fevereiro de 2023 com um modelo híbrido — conecte-se online, interaja offline.
“Você pode ser tímido, mas falar sobre um livro num clube de leitura é mais fácil do que começar do zero. É disso que se trata: criar pontos de partida para conexões reais”, explicou Gunby em entrevista à CNBC.
Retenção alta e expansão global
Cerca de 75% dos usuários voltam ao app semanalmente. Isso se deve à diversidade de comunidades e atividades que vão de rodas de conversa sobre arte a clubes de corrida e tech meetups. Os usuários não só participam de eventos como também podem criar os seus próprios, o que amplia o potencial de engajamento da plataforma.
Agora, o Cliq trabalha com grandes influenciadores do Reino Unido e fecha parcerias com marcas globais. Uma nova rodada de investimentos está em preparação.
De maquiadora a empreendedora global
Antes do Cliq, Gunby já tinha empreendido: na Austrália, ela fundou a AMB Beauty, uma plataforma de agendamento para profissionais de beleza, que teve parte adquirida pela Revolution Beauty. Com essa bagagem, ela voltou ao Reino Unido decidida a construir algo com mais impacto pessoal e social.
Mais do que uma solução para a solidão urbana, o Cliq virou também um símbolo de liderança feminina na tecnologia. Gunby tem participado de painéis sobre mulheres no empreendedorismo e já atraiu o interesse de marcas como a Samsung.
“Só 2% do capital de risco vai para startups fundadas por mulheres. Estou em uma missão para mudar isso. O Cliq se tornou mais do que um app — é uma plataforma que empodera qualquer um a começar algo”, escreveu em seu LinkedIn.
Lições para empreendedores:
- Resolva uma dor real: a solidão é um problema crescente, especialmente entre jovens adultos nas grandes cidades. Gunby enxergou aí uma oportunidade de impacto com escala.
- Comece simples e teste rápido: o MVP foi testado em universidades antes do lançamento oficial. A validação rápida ajudou a construir um produto alinhado com os usuários.
- Construa comunidades, não só audiências: o Cliq aposta em engajamento profundo. Isso garante retenção e atratividade para investidores.
- Narrativa importa: Gunby transformou sua jornada pessoal em uma história poderosa, que conecta propósito, inovação e mercado. Investidores compram ideias, mas se apaixonam por histórias.