O Congresso americano está intensificando esforços para limitar o poder do ex-presidente Donald Trump — e possível futuro ocupante da Casa Branca — de impor tarifas unilaterais sobre importações, algo que ele promete fazer de forma ampla caso retorne ao poder em 2025. A iniciativa tem unido legisladores de ambos os partidos, preocupados com os impactos econômicos e políticos dessa abordagem.
A recente proposta de Trump de aplicar tarifas de até 10% sobre todas as importações ao país reacendeu os alarmes tanto entre democratas quanto entre republicanos. Muitos temem que medidas assim possam desencadear guerras comerciais, afetar consumidores americanos, prejudicar empresas exportadoras e desestabilizar a economia global.
União bipartidária para limitar autoridade presidencial
O senador Chuck Grassley (republicano de Iowa), em parceria com a senadora Maria Cantwell (democrata de Washington), apresentou um projeto de lei que visa restabelecer o papel constitucional do Congresso no controle do comércio internacional. A proposta exige que o presidente consulte o Congresso antes de aplicar tarifas com base em segurança nacional — uma brecha que Trump usou repetidamente durante seu mandato para justificar sobretaxas, inclusive contra aliados históricos como Canadá, México e União Europeia.
Além de Grassley e Cantwell, outros nomes republicanos como Thom Tillis (Carolina do Norte) e J.D. Vance (Ohio) também demonstraram apoio a limites mais claros sobre esse tipo de ação executiva. Isso indica um deslocamento interno no Partido Republicano, onde parte da bancada ainda adere ao populismo econômico de Trump, enquanto outra parte busca manter um alinhamento mais tradicional com políticas comerciais abertas e previsíveis.
Temor de retaliações e impactos domésticos
Os críticos de Trump no Congresso alertam que tarifas generalizadas podem provocar retaliações de países parceiros, encarecer bens de consumo no mercado interno e afetar setores cruciais como agricultura e indústria automotiva — especialmente em estados dependentes das exportações.
“Impor tarifas de forma indiscriminada é um risco enorme para os trabalhadores e consumidores americanos”, afirmou um assessor democrata envolvido nas negociações. “Trump pode até vê-las como uma ferramenta de negociação, mas na prática isso pode virar um tiro no pé da economia dos EUA.”
Democratas avançam eleitoralmente com foco econômico
Enquanto isso, os democratas têm se beneficiado eleitoralmente ao apontar a volatilidade econômica associada às promessas de Trump. Com os bons resultados obtidos até agora nas eleições locais de 2024, o partido espera que os eleitores rejeitem o que consideram políticas “imprevisíveis e prejudiciais” de Trump.
O tema das tarifas pode se tornar central na disputa presidencial de novembro, especialmente em estados industriais do Meio-Oeste, onde a balança entre proteger empregos e manter produtos acessíveis é sempre delicada.
Artigo traduzido e adaptado de The Politics Desk