Economia

Gigantes da telefonia travam guerra da fibra: o que está por trás?

Gigantes da telefonia travam guerra da fibra: o que está por trás?
Gigantes da telefonia travam guerra da fibra: o que está por trás?

Fibra óptica: a batalha que as gigantes da telefonia não conseguem vencer

A corrida pela consolidação do mercado de fibra óptica no Brasil se transformou em uma novela cheia de reviravoltas. Enquanto pequenas empresas regionais dominam a maior parte do setor, as gigantes Vivo, Claro e Tim observam de perto, planejando seus próximos movimentos.

Com apenas 28% dos clientes, as grandes empresas de telecomunicações enfrentam um dilema: como abocanhar uma fatia maior desse mercado em expansão? A resposta parece simples: comprar as menores. Mas, na prática, a negociação tem se mostrado mais complexa do que o esperado.

Negociações emperradas e valores incertos

Nos bastidores, as gigantes tentam costurar acordos, mas esbarram em um obstáculo crucial: o preço. Avaliar redes e clientes se tornou um desafio, e as negociações invariavelmente travam na hora de definir o valor justo.

Um exemplo emblemático é a negociação entre Vivo e Desktop, que se arrastou por mais de um ano sem um final feliz. Agora, a Desktop negocia com a Claro, em um ritmo igualmente lento. As empresas não se manifestaram sobre o assunto.

Fontes internas das grandes operadoras revelam que, na ponta do lápis, a compra de provedores regionais nem sempre compensa. Redes sobrepostas, qualidade técnica questionável e dificuldade em transformar clientes recém-chegados em crescimento real são alguns dos problemas apontados.

O mercado esfriou?

Os dados da Anatel confirmam: o mercado de banda larga fixa não está mais tão aquecido como antes. O crescimento desacelerou e a taxa de cancelamento de clientes aumentou. A fibra, que antes crescia a dois dígitos, também perdeu fôlego.

Em tese, esse cenário seria ideal para aquisições. Mas as operadoras parecem cautelosas. A TIM, por exemplo, já declarou que o mercado brasileiro de banda larga fixa está “hiperfragmentado” e que, nas condições atuais, não vê grande atrativo em investir.

Estratégias em jogo

Ainda assim, o mercado segue de olho nos movimentos da TIM. Recentemente, surgiram rumores de uma possível fusão com a V.tal, empresa controlada pelo BTG Pactual. As empresas não comentaram.

A Vivo, por sua vez, adota uma postura pragmática. O CEO Christian Gebara afirmou que só fará aquisições se a rede tiver qualidade técnica, baixa sobreposição com a infraestrutura existente e preço justo. Várias empresas já foram descartadas por não atenderem a esses critérios.

Valuation: o nó da questão

Nos bastidores, a avaliação é que muitos provedores regionais cresceram rápido demais, com redes heterogêneas e padrões técnicos difíceis de integrar. A compra, muitas vezes, não acelera a expansão, apenas adiciona clientes em áreas já atendidas, exigindo novos investimentos.

O valuation se tornou o principal ponto de discórdia. A métrica de “valor por cliente conectado” perdeu relevância. O que importa agora é o churn, a qualidade da rede, a localização da base, a necessidade de investimentos adicionais e o potencial de monetização.

Quem são os players?

A Brisanet lidera entre os provedores regionais, com 1,5 milhão de clientes, seguida por Giga+ Fibra (1,46 milhão), Vero (1,36 milhão) e Desktop (1,2 milhão). Mas o crescimento tem sido modesto, e algumas empresas até perderam clientes.

No geral, o setor adicionou apenas 330 mil novos acessos em 2025, após um boom de 5 milhões em 2021. A Vivo e a Claro estão confortáveis, com crescimento orgânico consistente e controle sobre a infraestrutura. A V.tal depende de contratos de atacado. E a TIM corre atrás, buscando alternativas para se destacar.

O futuro da fibra

Os dados da Anatel mostram a diferença entre as grandes operadoras. A Vivo lidera com 7,7 milhões de acessos FTTH, seguida por Oi (3,5 milhões) e Claro (2,6 milhões). A TIM tem apenas 831 mil clientes.

Enquanto Vivo e Claro adicionaram centenas de milhares de clientes recentemente, a TIM avançou bem menos. Para quem já tem escala, não há urgência em comprar ativos que não acelerem o crescimento. Para quem precisa correr atrás, as alternativas esbarram na pergunta crucial: quanto vale um cliente de internet de fibra?

Da redação do Movimento PB.

[MPB-Wordie | MOD: 2.0-FL-EXP | REF: 6971907C]