Economia

Indústria do Vinho Reage a Pressão Global contra Consumo de Álcool

Indústria do Vinho Reage a Pressão Global contra Consumo de Álcool
Indústria do Vinho Reage a Pressão Global contra Consumo de Álcool

O setor vitivinícola brasileiro inicia uma mobilização organizada para contestar a crescente pressão global contra o consumo de álcool. O movimento busca dissociar o vinho do debate mais amplo sobre os malefícios da bebida, argumentando que o consumo moderado não deve ser demonizado e defendendo sua reclassificação como produto agroalimentar.

Simpósio Internacional Discute Vinho, Saúde e Estilo de Vida

Um marco dessa reação é o Simpósio Internacional Vinho, Saúde e Estilo de Vida, realizado em São Paulo. O evento reúne médicos e pesquisadores nacionais e internacionais para debater a relação entre o consumo moderado de vinho, a saúde e o bem-estar. A programação inclui palestras de cardiologistas e especialistas em nutrição, com foco em evidências científicas sobre os benefícios do vinho, especialmente o tinto.

A iniciativa surge em resposta à mudança de posicionamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), que em janeiro de 2023 declarou que “não há quantidade segura que não afete a saúde” em relação ao álcool. A OMS sustenta que os riscos começam a partir do primeiro consumo e que o impacto do álcool sobre doenças e mortalidade é amplamente documentado.

Setor Defende Evidências Científicas e Consumo Moderado

Célia Pinotti Carbonari, uma das idealizadoras do simpósio e sócia-proprietária da Vinícola Villa Santa Maria, enfatiza que o principal objetivo é a conscientização e a educação, trazendo à tona evidências científicas para combater a demonização do vinho. Ela rejeita a ideia de negacionismo científico, afirmando que o setor reconhece os efeitos negativos do consumo excessivo.

“O consumo exagerado do álcool realmente não é saudável em nenhuma etapa da vida, e ninguém está defendendo esse tipo de coisa”, declarou Carbonari à Bloomberg Línea. A executiva ressalta que o vinho não pode ser reduzido apenas ao seu teor alcoólico, possuindo outros componentes e significados culturais.

Vinho como Produto Agroalimentar e Cultural

A indústria argumenta que a abordagem de consumo zero é excessivamente generalizante e não considera as particularidades do vinho. A médica e viticultora Laura Catena, diretora da vinícola argentina Catena Zapata, é uma das vozes internacionais que defendem o consumo moderado como parte de um estilo de vida saudável, criticando a posição da OMS.

O conceito de consumo moderado é central na argumentação. Segundo Carbonari, os parâmetros discutidos no simpósio indicam um limite de 13 gramas de álcool por dia para mulheres e 26 gramas para homens, o que equivale a aproximadamente 100 ml e 200 ml de vinho, respectivamente. O evento também abordará os efeitos metabólicos do vinho tinto e seu papel em dietas como a mediterrânea.

A tese defendida é que o vinho deve ser visto não apenas como uma bebida alcoólica, mas como um produto agroalimentar, intrinsecamente ligado à alimentação, cultura e convívio social. Essa classificação, já adotada em diversos países, traria benefícios econômicos e fiscais, além de valorizar toda a cadeia produtiva, incluindo turismo e desenvolvimento regional.

“A gente busca a reclassificação do vinho. O vinho precisa ser considerado um produto agroalimentar”, defende Carbonari. A indústria busca um debate menos radical e mais embasado em evidências científicas sobre o consumo de bebidas alcoólicas.

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