Larry Fink, CEO da BlackRock, a maior gestora de ativos do mundo, afirmou que não há garantia de que o status do dólar como moeda de reserva global perdure indefinidamente. Em declaração recente, ele destacou que a dívida nacional dos Estados Unidos cresceu a uma taxa três vezes superior à do PIB desde 1989, quando o famoso “relógio da dívida” foi instalado na Times Square.
Segundo Fink, os pagamentos de juros da dívida norte-americana ultrapassarão US$ 952 bilhões neste ano, superando os gastos com defesa. Ele alerta que, se essa tendência persistir, até 2030 os gastos obrigatórios do governo e o serviço da dívida consumiriam toda a receita federal, criando um déficit permanente.
Diante desse cenário, Fink sugere que os EUA correm o risco de perder sua posição privilegiada caso não controlem seus déficits, podendo ser superados por ativos digitais, como o bitcoin.
Tokenização e o futuro dos investimentos
O executivo também apontou a tokenização de ativos como uma ferramenta essencial para democratizar o acesso ao mercado financeiro. Ele explica que esse processo permite transformar ativos do mundo real, como ações, títulos e imóveis, em tokens digitais que podem ser negociados online. Ao eliminar a necessidade de documentos físicos e reduzir prazos de liquidação, essa inovação poderia impulsionar a economia, garantindo mais agilidade e eficiência.
Se cada ativo puder ser tokenizado, Fink argumenta que os mercados poderiam operar sem interrupção, e transações que hoje levam dias seriam liquidadas em segundos. Esse processo permitiria que bilhões de dólares, atualmente imobilizados devido a atrasos burocráticos, fossem rapidamente reinvestidos, estimulando ainda mais o crescimento econômico.
ETFs e a expansão da BlackRock
No contexto da BlackRock, Fink destacou o sucesso dos ETFs (Exchange-Traded Funds) como uma tecnologia que facilita o acesso aos investimentos. Ele citou o recente lançamento do Bitcoin ETP (Exchange-Traded Product) da empresa, que oferece exposição à criptomoeda com a segurança e a eficiência dos produtos negociados em bolsa.
O CEO ressaltou que a iniciativa tem atraído novos investidores para a gestora, com mais da metade da demanda pelo Bitcoin ETP vinda de investidores de varejo, sendo que três quartos desses nunca haviam investido em produtos iShares, linha de ETFs da BlackRock.
As declarações de Larry Fink reforçam a urgência de uma política fiscal mais equilibrada nos Estados Unidos e o crescente papel dos ativos digitais e da tokenização no futuro do sistema financeiro global.