Ouro e Prata Despencam: Especuladores Chineses Puxaram o Tapete?

O mercado de metais preciosos viveu um dos seus capítulos mais dramáticos, com a prata e o ouro registrando quedas históricas em poucas horas. A prata, que raramente negociava acima de US$ 40 a onça antes, despencou essa mesma quantia em menos de um dia. A queda de 26% da prata na sexta-feira marcou o maior declínio já registrado, enquanto o ouro sofreu seu pior dia em mais de uma década, caindo 9%. Até o cobre, que havia atingido US$ 14.500 por tonelada, viu seus ganhos evaporarem com a mesma rapidez.
A Onda Especulativa Chinesa e o Colapso
Por semanas, traders ao redor do mundo acompanharam o frenesi nos mercados de metais. Do ouro ao estanho, os preços pareciam desafiar a lógica da oferta e demanda, impulsionados por uma torrente de dinheiro especulativo vindo da China. Investidores individuais e grandes fundos de ações chineses, aventurando-se em commodities, criaram uma onda de compras que levou os metais a novos recordes.
Dominik Sperzel, chefe de trading da Heraeus Precious Metals, descreveu o cenário como a coisa mais selvagem que já viu em sua carreira, destacando que o ouro, símbolo de estabilidade, se moveu de forma totalmente instável. A alta era vista como uma operação de momentum, não de fundamentos, como alertou Jay Hatfield, diretor de investimentos da Infrastructure Capital Advisors, com muitos surfando a onda à espera de uma correção.
O Gatilho e a Reversão
Embora a notícia de que Trump planejava nomear Kevin Warsh para comandar o Federal Reserve – o que fortaleceu o dólar – tenha sido o gatilho imediato para o colapso, muitos analistas já alertavam que os mercados de metais estavam superaquecidos. A velocidade e a escala da queda, no entanto, chocaram até os mais experientes. Nicky Shiels, da MKS PAMP SA, classificou o janeiro de 2026 como o mês mais volátil da história dos metais preciosos, com o mercado sendo descrito como “parabólico”, “frenético” e “inoperável”.
A febre do ouro e da prata, que atraiu consumidores da China à Alemanha, lembrava as oscilações dramáticas de 1979-1980. Empresas como a Heraeus trabalhavam na capacidade máxima para atender à demanda, com filas de pessoas para comprar barras.
O Papel das Opções e o ‘Squeeze’
A prata, um mercado relativamente menor, foi palco de movimentos ainda mais dramáticos. O iShares Silver Trust (SLV), um dos maiores fundos de prata, registrou um volume financeiro de mais de US$ 40 bilhões, tornando-se um dos títulos mais negociados globalmente. A atividade em opções, populares entre investidores de varejo, também foi febril, com postagens em grupos do Reddit mostrando ganhos superiores a 1.000%.
Quando há muitas opções de compra (calls) em aberto, criam-se as condições para um “squeeze”. Dealers correm para fazer hedge de suas posições comprando o ativo subjacente à medida que os preços sobem, amplificando ainda mais os movimentos. “À medida que apertamos para cima, eles precisam mecanicamente continuar comprando mais”, explicou Alexander Campbell, ex-chefe de commodities da Bridgewater Associates. “E isso explicaria por que subimos tão rápido e caímos tão rápido.”
O Desfecho e o Futuro
O comentário de Trump, na terça-feira, de que o dólar sob pressão estava “indo muito bem”, desencadeou um último frenesi de compras de metais, levando os preços a novos recordes: ouro a US$ 5.595 a onça, prata a US$ 121 e cobre a US$ 14.527,50. O primeiro sinal de reversão veio na quinta-feira, com o dólar se fortalecendo e o ouro despencando mais de US$ 200 em dez minutos.
A notícia da indicação de Warsh para o Fed consolidou a virada. Desta vez, foram os investidores chineses que, antes impulsionadores da alta, realizaram lucros. “A China vendeu e agora estamos sofrendo as consequências”, afirmou Campbell.
O que vem a seguir, mais uma vez, pode depender da China. Investidores aguardam a abertura do pregão em Xangai para ver se a demanda chinesa por metais pode ser reavivada. Bancos chineses já anunciaram medidas para conter riscos ligados a produtos de acumulação de ouro para pessoas físicas, elevando o valor mínimo de depósito e implementando controles de cotas. Enquanto o ouro ainda encontra compradores aproveitando a queda, a prata mostra uma forte tendência de cautela.
Da redação do Movimento PB.
