Economia

Trump assusta: Líderes globais buscam refúgio na China de Xi Jinping

Trump assusta: Líderes globais buscam refúgio na China de Xi Jinping
Trump assusta: Líderes globais buscam refúgio na China de Xi Jinping

Pequim se tornou o novo ponto de convergência para líderes mundiais, que, em meio à imprevisibilidade da política externa de Donald Trump, buscam na China uma âncora de estabilidade econômica e política. Somente em janeiro de 2026, pelo menos cinco chefes de Estado e de governo, incluindo o primeiro-ministro britânico Keir Starmer e o canadense Mark Carney, visitaram o presidente chinês Xi Jinping.

Essa corrida para a capital chinesa marca uma reconfiguração nas relações internacionais. Muitos desses países, que outrora mantiveram distância durante as disputas comerciais entre Washington e Pequim, agora veem na China um parceiro essencial. A visita do primeiro-ministro da Irlanda, por exemplo, foi a primeira em 14 anos, enquanto as viagens de Starmer e Carney são as primeiras em oito anos.

A Incerteza de Trump e a Oportunidade Chinesa

A principal motivação por trás dessa aproximação é a percepção de uma crescente incerteza na política dos EUA sob a administração Trump. Desde que assumiu o cargo há 12 meses, Trump tem implementado uma série de tarifas não apenas contra a China, mas também contra outros parceiros comerciais, e intensificado a pressão sobre nações como Venezuela, Irã e Groenlândia.

“Essas visitas refletem redefinições gerenciadas e seletivas sob a crescente incerteza política dos EUA, em vez de uma guinada estratégica em direção à China”, analisa Yue Su, economista principal da Economist Intelligence Unit. Ela acrescenta que manter canais de comunicação abertos com Pequim é cada vez mais visto como preferível ao distanciamento, especialmente à medida que os benefícios de uma cooperação seletiva com a China se tornam mais visíveis e a política dos EUA menos previsível.

Para Pequim, essa é uma oportunidade dourada. A China tem se esforçado para se apresentar não apenas como uma parceira para países em desenvolvimento, mas também como uma força estabilizadora global. Cui Shoujun, professor de estudos internacionais na Universidade Renmin da China, ressalta que o movimento desses países em direção à China indica o valor que atribuem aos laços com a segunda maior economia do mundo, mesmo que ainda precisem se alinhar com os EUA em questões de segurança.

Acordos Comerciais e o Novo Cenário Econômico

As visitas diplomáticas são acompanhadas por robustas delegações empresariais, ansiosas por fechar negócios com o vasto mercado consumidor chinês. A gigante farmacêutica britânica AstraZeneca, por exemplo, aproveitou a visita de Starmer para anunciar um investimento de US$ 15 bilhões na China até 2030. O Canadá, por sua vez, concordou em reduzir as tarifas sobre carros elétricos chineses em troca de tarifas mais baixas sobre sementes de canola canadenses.

A China, por sua vez, tem defendido um ambiente justo para suas empresas que operam ou investem globalmente, especialmente enquanto busca autossuficiência tecnológica e consolida sua posição no cenário mundial. Essa postura se alinha com a visão de modernização chinesa, que, segundo o Partido Comunista Chinês, rompe com um modelo “centrado no Ocidente” e oferece uma nova escolha aos países em desenvolvimento.

Ainda Sob a Sombra de Duas Potências

Apesar da aproximação com Pequim, o poder econômico dos EUA e da China permanece inegável. Os cinco países que visitaram a China em janeiro (Irlanda, Coreia do Sul, Canadá e Finlândia) somam um PIB combinado de US$ 8,71 trilhões, menos da metade do PIB chinês de US$ 18,74 trilhões. Os EUA, com um PIB de US$ 28,75 trilhões, ainda são a maior economia global.

As tensões entre as duas maiores economias, contudo, persistem. Após a China retaliar as tarifas de Trump em abril de 2025, uma frágil trégua comercial de um ano foi alcançada em outubro. Trump é esperado em Pequim em abril, um encontro que a Câmara Americana de Comércio na China (AmCham China) vê como uma oportunidade crucial para “uma liderança sustentada e progresso significativo que não deve ser desperdiçado”.

Da redação do Movimento PB.

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