EsportesGeral

Do Cabo Branco ao “Fim do Mundo”: Ciclista pessoense completa jornada épica até o Ushuaia em 53 dias

Sebastian, conhecido como “O Rei do Longão”, compartilhou detalhes de sua aventura solitária de mais de dois meses atravessando a América do Sul com sua bicicleta “Maria Bonita”.


Em uma demonstração impressionante de resistência física e determinação, o ciclista paraibano Sebastian, carinhosamente apelidado no meio esportivo como “O Rei do Longão”, concluiu um desafio que poucos ousariam tentar: pedalar do ponto mais oriental das Américas, em João Pessoa, até o Ushuaia, na Argentina, conhecido como o “Fim do Mundo”. A façanha foi detalhada em entrevista ao podcast PodPedalar, onde o aventureiro narrou os bastidores dessa travessia realizada em 53 dias.

Uma jornada solitária pelo cone sul

Saindo do Farol do Cabo Branco, marco geográfico extremo do continente, Sebastian planejou a viagem para durar 60 dias, mas superou suas próprias expectativas ao concluir o trajeto uma semana antes do previsto. A bordo de sua mountain bike, batizada de “Maria Bonita”, ele enfrentou a estrada sozinho, levando apenas uma mochila e a coragem.

A estratégia logística foi mista: enquanto no Brasil o ciclista optou por pernoitar em pousadas para garantir descanso e agilidade, na Argentina a realidade foi mais rústica. Sebastian enfrentou as intempéries acampando em barraca, muitas vezes sob chuva e em condições adversas.

O trecho argentino, especificamente na região da Patagônia, provou ser o teste definitivo. O ciclista relatou a dificuldade de enfrentar os famosos ventos patagônicos, que sopravam contra seu deslocamento a velocidades de 30 a 40 km/h, obrigando-o, em certos momentos, a empurrar a bicicleta. Além do vento, a falta de equipamentos de frio adequados no início da viagem — corrigida apenas com compras de emergência em Foz do Iguaçu — adicionou uma camada extra de dramaticidade à expedição.

Do transporte urbano às grandes distâncias

A trajetória de Sebastian no ciclismo de longa distância é relativamente recente, mas meteórica. Embora utilizasse a bicicleta como meio de transporte para o trabalho desde 2014 — hábito que mantém até hoje, realizando 90% de seus deslocamentos sobre duas rodas —, foi apenas durante a pandemia de 2020 que ele começou a encarar o pedal como esporte e desafio.

Antes de conquistar a América do Sul, o “Rei do Longão” já havia acumulado feitos notáveis no currículo:

  • João Pessoa ao Rio de Janeiro: Uma viagem de 13 dias realizada em abril de 2024, pedalando uma média de 200 km por dia até o Cristo Redentor.
  • Desafio 500km em 24h: Uma travessia da Paraíba, saindo do Busto de Tamandaré à meia-noite e chegando a Cajazeiras/Cachoeira dos Índios, enfrentando chuvas torrenciais e completando o percurso em pouco mais de 24 horas corridas.

Apoio local e filosofia de vida

Apesar de pedalar sozinho na estrada, Sebastian destacou a importância de sua rede de apoio em João Pessoa. O financiamento da viagem foi viabilizado por uma combinação de economias próprias, rifas e o suporte de empresas locais e amigos, incluindo seu empregador, que custeou a passagem aérea de retorno.

“Diga que você viveu no tempo do ciclista templário. Diga que você viveu no tempo do Rei do Longão.”

Com essa frase, Sebastian encerra não apenas uma entrevista, mas um ciclo de superação que inspira a comunidade ciclista do Nordeste. Longe de pendurar as sapatilhas, ele já planeja seus próximos passos: o Caminho da Fé, em São Paulo, e futuramente, o Caminho de Santiago de Compostela, na Europa.

A história de Sebastian reforça o potencial do ciclismo não apenas como esporte de alto rendimento, mas como ferramenta de transformação pessoal e mobilidade, provando que, com planejamento e resiliência, as fronteiras continentais podem ser superadas pela força humana.


Por Redação do Movimento PB — Com informações de entrevista ao canal PodPedalar.

[GEMINI-MPB-20012026-0952-V10.5]