Ativista e jornalista Renata Falzoni dá entrevista “aula” sobre mobilidade urbana

Em episódio especial do PodPedalar, uma das maiores ativistas do país dissecou a “guerra semântica” do trânsito e explicou por que a bicicleta é, antes de tudo, uma ferramenta de justiça econômica.
Quando o PodPedalar foi ao ar pela primeira vez em novembro de 2025, a expectativa era criar um espaço de nicho. No entanto, o episódio que trouxe a participação especial e exclusiva de Renata Falzoni transformou o programa, hospedado pela “Extremo Oriental TV” e transmitido pelo canal no YouTube, em uma verdadeira caixa de ressonância política. A entrevista, realizada em São Paulo, com a arquiteta e jornalista, pioneira na defesa da mobilidade ativa no Brasil, funcionou como uma “masterclass” instantânea, oferecendo um novo vocabulário para entender o caos urbano de João Pessoa.
Sob a condução de Francino Melo, o diálogo rompeu a bolha do ciclismo esportivo para tocar em feridas sociais profundas. Falzoni trouxe à mesa conceitos que desafiam a lógica tradicional da gestão pública, mudando a forma como a cidade encara seus próprios gargalos.
A guerra das palavras: não é acidente, é sinistro
Um dos pontos altos da entrevista foi a chamada “guerra semântica”. Renata enfatizou que a forma como a imprensa e as autoridades narram as ocorrências de trânsito define a responsabilidade sobre elas. O termo “acidente” carrega uma ideia de fatalidade ou acaso, eximindo o poder público.
Renata Falzoni é arquiteta, urbanista e jornalista, reconhecida como uma das principais vozes do cicloativismo no Brasil e fundadora do portal Bike é Legal. Com uma trajetória que une a comunicação visual à política, foi eleita vereadora em São Paulo pelo PSB em 2024, consolidando seu mandato na defesa de cidades sustentáveis e no direito à mobilidade ativa.
A especialista defendeu a adoção de termos como “sinistro” ou “colisão”, destacando que mortes no trânsito são, na maioria das vezes, eventos previsíveis causados por desenhos viários hostis e negligência na fiscalização. Para uma cidade que viu 913 ciclistas darem entrada no Hospital de Trauma somente em 2024, a mudança de linguagem proposta no episódio não é preciosismo, mas o primeiro passo para cobrar soluções reais.
Infraestrutura não é prêmio, é indução
Outro dogma derrubado durante a conversa foi a ideia de que ciclovias só devem ser construídas onde já existem muitos ciclistas. Aplicando a máxima de que “não se constrói a ponte baseada em quantos nadam o rio”, o episódio iluminou o conceito de demanda induzida: a infraestrutura segura é o que faz o ciclista surgir.
A discussão abordou a bicicleta como um instrumento de equidade econômica. Em uma capital desigual como João Pessoa, onde o transporte motorizado consome uma fatia cruel da renda do trabalhador, garantir o direito de pedalar com segurança é garantir liberdade financeira e acesso à cidade. O legado deixado por essa participação especial no PodPedalar foi claro: mobilidade não é sobre fluidez de carros, é sobre a dignidade das pessoas.
Você pode acompanhar o episódio inteiro no link a seguir.
https://youtu.be/OfccMugzEEw?si=fSmXxsmrdwrrkt0C
O podcast está disponível em edições semanais, apresentado pelo radialista e empresário Rômulo Vasconcelos, com a participação de Francino Melo.
Da redação do Movimento PB.
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