Bets no Brasil: 1 ano de regulação e os próximos passos

O setor de apostas esportivas no Brasil celebra seu primeiro ano sob regulamentação, um marco que será amplamente debatido no “BiS SiGMA South America 2026”. O evento, que ocorrerá de 6 a 9 de abril no Transamerica Expo Center, em São Paulo, reunirá especialistas, autoridades e empresários para discutir os avanços, desafios e o futuro da indústria no país. A conferência conta com a parceria de mídia do Poder360, que realizará a cobertura completa e transmissões ao vivo de entrevistas.
Um ano de avanços e desafios
A regulamentação trouxe maior transparência e permitiu mapear o volume do mercado que antes operava na clandestinidade. Segundo dados da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, em 2025, 25,2 milhões de brasileiros realizaram apostas. Com 79 empresas legalizadas, o setor gerou uma receita bruta de R$ 36,9 bilhões e recolheu R$ 9,95 bilhões em tributos.
Além da arrecadação fiscal, a lei determina que 12% da receita bruta sejam destinados a áreas sociais. Em 2025, o esporte recebeu R$ 1,6 bilhão, o turismo R$ 1,3 bilhão, a segurança pública R$ 614 milhões, a educação R$ 459 milhões e a seguridade social R$ 454 milhões.
O perfil do apostador brasileiro também foi delineado: homens representam 68,3% do total, e 74% dos apostadores têm até 40 anos.
Combate à ilegalidade e tributação
Um dos temas centrais do evento será o combate ao mercado ilegal. Em 2025, a SPA, em parceria com a Anatel, bloqueou 25.000 sites ilegais, uma média de 2.000 por mês. Alessandro Valente, cofundador do BiS SiGMA, destaca os riscos da pirataria: “Temos inúmeros casos de pessoas que não conseguem sacar os ganhos, que depositam e não conseguem nem fazer a aposta. Quando fazem, o site às vezes já está fechado e perdem o dinheiro”.
A tributação elevada é apontada como um fator que favorece a clandestinidade. Um estudo do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) indica que a carga tributária e regulatória pode chegar a 42% da receita bruta. Valente alerta que “em todos os países onde houve aumento da carga tributária ou criação de novos impostos, o reflexo foi sempre o mesmo: diminuição do volume nas casas de apostas licenciadas e crescimento nos sites clandestinos”.
Perspectivas futuras: cassinos e Copa do Mundo
A legalização dos cassinos físicos, proibidos desde 1946, é outro ponto em debate. O projeto de lei nº 2.234 de 2022, em discussão no Senado, visa autorizar a exploração desses espaços, promovendo arrecadação fiscal e regulamentando uma atividade que já ocorre na clandestinidade.
O evento também abordará as perspectivas para a 1ª Copa do Mundo com as bets reguladas. Em 2022, o evento movimentou cerca de US$ 35 bilhões em apostas globais. A expectativa é que a competição deste ano impulsione significativamente o volume de apostas em plataformas legais, aumentando a receita do país.
O “BiS SiGMA South America 2026” promete ser um fórum essencial para moldar o futuro do setor de apostas no Brasil, promovendo o diálogo e buscando um equilíbrio entre entretenimento, segurança jurídica e arrecadação fiscal.
