Bitcoin desaba e arrasta empresas

O mercado de moedas digitais enfrenta um período de intensa turbulência, gerando forte pressão sobre as ações de companhias globais que apostaram na acumulação de bitcoin e outras criptomoedas como pilar de seu modelo de negócio. A queda acentuada levanta sérias preocupações sobre a estabilidade do setor financeiro digital.
Empresas que apostaram alto sentem o baque
O número de empresas de capital aberto que investiram em criptoativos cresceu exponencialmente no último ano, impulsionadas pela expectativa de valorização. Essa onda foi, em parte, alimentada pela postura favorável de Trump às criptomoedas durante sua campanha eleitoral e pelo sucesso inicial de companhias como a Strategy, que migrou de software para uma estratégia agressiva de acumulação de bitcoins a partir de 2020.
No entanto, o cenário mudou drasticamente. Preocupações com as avaliações de empresas de inteligência artificial e a incerteza em torno dos futuros cortes nas taxas de juros dos EUA estão impactando negativamente os ativos de risco. O bitcoin, por exemplo, atingiu seu nível mais baixo desde novembro de 2024, fazendo com que muitas empresas de “tesouraria de ativos digitais” (DAT) vacilem.
Grandes nomes no vermelho
A Strategy, uma das mais emblemáticas compradoras de bitcoin, viu suas ações despencarem de US$ 457 em julho para US$ 111,27 nesta quinta-feira, o menor valor desde agosto de 2024. Em dezembro, a empresa já havia revisado para baixo sua projeção de lucros para 2025, esperando um resultado entre US$ 6,3 bilhões de lucro e US$ 5,5 bilhões de prejuízo, contra uma previsão anterior de lucro líquido de US$ 24 bilhões.
Outras companhias também sentiram o impacto:
- A britânica Smarter Web Company registrou uma queda de quase 18% em suas ações.
- As compradoras rivais Nakamoto e a japonesa Metaplanet recuaram quase 9% e 7%, respectivamente.
- No Brasil, a Méliuz caiu 4,5%, cotada a R$ 3,41, enquanto a OrangeBTC recuou 5%, para R$ 6,47.
Bitcoin em “modo de capitulação total”
O bitcoin acumula uma queda de quase 20% desde o início do ano. A pressão de venda se intensificou após Trump nomear Kevin Warsh para a presidência do Fed, uma medida que, segundo analistas, pode levar a uma redução do balanço patrimonial do banco central — um fator negativo para ativos de risco como as criptomoedas.
A maior criptomoeda do mundo era negociada em queda de 10,5% a US$ 64.917, perdendo todos os ganhos acumulados desde a eleição de Trump. “À medida que o bitcoin continua sua queda abaixo da barreira psicológica de US$ 70.000, fica claro que o mercado de criptomoedas está agora em modo de capitulação total”, afirmou Nic Puckrin, analista de investimentos e cofundador da Coin Bureau. Ele alerta que, se os ciclos anteriores servirem de referência, essa não é uma correção de curto prazo, mas uma transição que pode durar meses.
O desafio das “tesourarias de ativos digitais”
Embora investidores institucionais possam adquirir tokens diretamente, as DATs oferecem uma forma de alavancar retornos e permitir que investidores mais cautelosos tenham exposição às criptomoedas através de empresas públicas reguladas. Contudo, a pressão sustentada sobre as ações dessas companhias pode complicar sua capacidade de levantar capital adicional para comprar mais tokens, um ponto crucial de seu modelo de negócios.
Empresas que acumulam outros tokens também foram duramente atingidas. A Alt5 Sigma, que anunciou a acumulação do token WLFI da família Trump, caiu 8,4%. A SharpLink Gaming, detentora de ether, perdeu 8%, e a Forward Industries, que possui solana, recuou quase 6%.
Da redação do Movimento PB.
