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China expande rede de inteligência na América Latina: Brasil, Argentina e Venezuela em alerta

China expande rede de inteligência na América Latina: Brasil, Argentina e Venezuela em alerta
China expande rede de inteligência na América Latina: Brasil, Argentina e Venezuela em alerta

Relatórios recentes indicam uma expansão significativa da rede de inteligência da China na América Latina, com Brasil, Argentina e Venezuela emergindo como focos centrais de preocupação. A crescente influência de Pequim na região agora abrange não apenas comércio e investimento, mas também áreas sensíveis como dados, telecomunicações, espaço, vigilância e esferas políticas, acendendo alertas sobre possíveis ciberataques e pressão diplomática.

Infraestrutura Espacial e Coleta de Dados

Um dos avanços mais notórios da China na América Latina tem sido na infraestrutura espacial. Uma investigação do Select Committee on the CCP da Câmara dos EUA, divulgada em fevereiro de 2026, apontou para pelo menos 11 instalações ligadas à China em países como Argentina, Venezuela, Bolívia, Chile e Brasil. Essas estruturas são descritas como de uso dual, com potencial para ampliar as capacidades espaciais chinesas e a coleta de inteligência.

O Council on Foreign Relations (CFR) corrobora essa análise, destacando que a maior instalação espacial chinesa fora do país está localizada na Argentina. A estação de espaço profundo em Neuquén, administrada pelo China Satellite Launch and Tracking Control General sob um arrendamento de 50 anos, levanta questões sobre soberania e transparência, com cientistas argentinos tendo acesso limitado ao tempo operacional e sem poder interromper atividades locais.

Ciberataques e Vigilância em Ascensão

No domínio digital, os riscos são igualmente elevados. Um relatório da CrowdStrike de maio de 2025 identificou o Brasil como o país mais visado na região, com Brasil, México e Argentina figurando entre os mais afetados. A empresa observou operações de grupos ligados à China, como VIXEN PANDA, AQUATIC PANDA e LIMINAL PANDA, direcionadas a governos, operadoras de telecomunicações e entidades militares latino-americanas.

A China também tem liderado projetos de “Safe City” na América Latina, com a Argentina à frente em número dessas iniciativas. Analistas da Florida International University (FIU) notam uma migração do modelo de presença chinesa na região para um foco crescente em tecnologia, segurança e infraestrutura crítica. No Brasil, a presença tecnológica chinesa, como o piloto de cidade 5G da Huawei em Curitiba (2022) e a predominância de seus equipamentos em redes 3G e 4G, continua sendo um ponto de atenção, mesmo diante de alertas de segurança emitidos por formuladores de políticas nos EUA.

Postos Policiais no Exterior e Pressão Diplomática

Outro ponto de tensão envolve a criação de “postos policiais no exterior” pela China, apresentados oficialmente como centros de serviço para cidadãos chineses. No entanto, investigações da Safeguard Defenders apontam que essas unidades em países como Argentina e Brasil têm sido usadas para outras finalidades, gerando cobranças a autoridades locais. Pequim, por sua vez, rejeita tais acusações, classificando-as como fabricadas e defendendo que são centros de apoio comunitário voluntário.

A disputa por influência também se manifesta em pressão diplomática direta. Em dezembro de 2024, o Paraguai declarou persona non grata o diplomata chinês Xu Wei, acusando-o de interferir em assuntos internos ao tentar pressionar parlamentares a romper relações com Taiwan. Essa ação reflete uma tendência observada em outros países da região que, nos últimos anos, optaram por reconhecer Pequim em detrimento de Taipei.

Reorganização Militar e Lei de Inteligência

A crescente presença e capacidade da China na região também se alinham a mudanças internas em sua estrutura de segurança. Em abril de 2024, a China dissolveu a Strategic Support Force e criou a Information Support Force, subordinada diretamente à Comissão Militar Central, visando fortalecer sistemas de informação e guerra moderna. Paralelamente, a Lei Nacional de Inteligência da China formaliza o dever de cooperação de cidadãos com agências de inteligência do Estado, ampliando a preocupação global sobre o alcance de suas redes de inteligência.

A complexa teia de atividades – que envolve comércio, telecomunicações, espaço, vigilância e pressão diplomática – coloca Brasil, Argentina e Venezuela em um cenário estratégico delicado. O que antes era discutido no campo abstrato da influência, agora se traduz em poder real na região, com muitos projetos chineses sendo apresentados como cooperação científica ou consular, mas sob o escrutínio de relatórios que apontam para ciberespionagem e sistemas de vigilância.

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