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Chocante: Pássaros podem ser conscientes e ter autopercepção!

Chocante: Pássaros podem ser conscientes e ter autopercepção!
Chocante: Pássaros podem ser conscientes e ter autopercepção!

Uma nova pesquisa, que promete redefinir nossa compreensão sobre a mente animal, sugere que pássaros podem ser muito mais conscientes do que se imaginava. Longe de serem meros autômatos biológicos, as aves demonstram percepção subjetiva do mundo, formas básicas de autoconsciência e até mesmo utilizam o cérebro de maneiras funcionalmente análogas às dos humanos.

O estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade Ruhr de Bochum, na Alemanha, e previsto para ser publicado em 2025 na prestigiada revista Philosophical Transactions of the Royal Society B, reúne um vasto leque de evidências comportamentais e neurobiológicas. Os resultados desafiam a ideia de que a consciência é um privilégio exclusivo de mamíferos com córtex cerebral complexo, abrindo novas perspectivas sobre a evolução da cognição.

A Percepção Subjetiva em Ação

Um dos pilares da pesquisa reside na observação da consciência sensorial em aves. Os cientistas notaram que a reação dos pássaros a estímulos não é puramente automática, mas mediada por uma experiência subjetiva. Em testes visuais ambíguos, por exemplo, pombos mostraram um comportamento intrigante: alternavam entre diferentes interpretações da mesma imagem, um fenômeno comparável ao que ocorre em humanos ao observar ilusões de ótica.

Ainda mais revelador foi o trabalho com corvos. Registros neurais desses animais demonstraram que certas células cerebrais não se ativam apenas pela presença física de um estímulo, mas sim pela percepção consciente desse estímulo. Ou seja, a atividade neural correspondia à experiência interna do corvo, ativando-se quando o animal percebia algo e permanecendo inativa quando a experiência subjetiva estava ausente.

Arquitetura Cerebral: Diferente, mas Funcional

A ausência de um córtex cerebral nas aves sempre foi um argumento central para questionar sua capacidade consciente. No entanto, o estudo de Bochum aponta para estruturas cerebrais aviárias que, embora distintas, são funcionalmente compatíveis com os requisitos teóricos do processamento consciente. O nidopallium caudolaterale, por exemplo, é destacado como um equivalente aviário do córtex pré-frontal de mamíferos, caracterizado por sua alta conectividade e capacidade de integrar informações de forma flexível.

Os pesquisadores enfatizam que o conectoma do prosencéfalo das aves (a rede de conexões cerebrais) compartilha semelhanças notáveis com o de mamíferos, especialmente na organização dos fluxos de informação. Isso sugere uma conclusão fascinante: diferentes “designs” cerebrais podem evoluir para sustentar funções cognitivas comparáveis, indicando uma plasticidade evolutiva surpreendente da consciência.

Aves e as Teorias da Consciência

A pesquisa vai além da mera observação, avaliando a compatibilidade desses achados com teorias estabelecidas sobre a consciência. Segundo os autores, as aves atendem a critérios da influente Teoria do Espaço de Trabalho Neuronal Global. A capacidade de integrar amplamente informações e a presença de sinais neurais associados à experiência subjetiva reforçam essa compatibilidade teórica.

Isso significa que o processamento consciente não é um monopólio de arquiteturas cerebrais específicas, mas sim um fenômeno que pode emergir de diversas plataformas biológicas, expandindo significativamente o escopo de nossa compreensão sobre onde e como a consciência pode existir no reino animal.

Evidências de Autopercepção: O Espelho e Além

A autoconsciência, muitas vezes vista como um marco da inteligência superior, também foi observada em aves. Algumas espécies de corvídeos, conhecidas por sua notável inteligência, passaram no tradicional teste do espelho – um indicador clássico de autoconsciência. Mas a pesquisa foi além, adaptando o teste para contextos mais ecologicamente relevantes.

Pombos e galinhas, por exemplo, demonstraram a capacidade de diferenciar seu próprio reflexo de um indivíduo real da mesma espécie, ajustando seu comportamento de acordo. Os cientistas interpretam essa habilidade como uma forma básica e situacional de autoconsciência, onde o animal reconhece o “eu” em um contexto específico.

Implicações Evolutivas Amplas

Em última análise, os resultados deste estudo sugerem que a consciência é um fenômeno evolutivo muito mais antigo e disseminado do que se pensava. As aves, com suas soluções funcionais semelhantes a partir de estruturas cerebrais distintas, oferecem um modelo poderoso para entender a diversidade e a adaptabilidade da cognição consciente ao longo da evolução.

A pesquisa de Gianmarco Maldarelli e Onur Güntürkün, da Universidade Ruhr de Bochum, não apenas eleva o status cognitivo das aves, mas também nos força a reavaliar a própria definição e as origens da consciência no planeta.

Da redação do Movimento PB.

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