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Epstein bancou modelos brasileiras e alertou prisão; MPF investiga Natal

Epstein bancou modelos brasileiras e alertou prisão; MPF investiga Natal
Epstein bancou modelos brasileiras e alertou prisão; MPF investiga Natal

A recente divulgação de milhões de documentos sobre Jeffrey Epstein, o bilionário condenado por crimes sexuais, lançou novas luzes sobre suas intrincadas conexões, com um foco perturbador em modelos brasileiras. Os arquivos revelam que Epstein mantinha relações pessoais e financeiras com diversas mulheres do Brasil, chegando a alertar uma delas dias antes de sua primeira prisão em 2008.

Relações e Financiamento de Modelos Brasileiras

As mensagens, que datam de 2006, anos antes da primeira condenação de Epstein, detalham um padrão de interações que incluíam convites para festas, visitas a São Paulo, transferências de dinheiro e pedidos explícitos para que as mulheres apresentassem outras para seus encontros no Brasil. Fotos de mulheres, cujas idades não são especificadas, eram frequentemente solicitadas e enviadas. Em uma revelação chocante, Epstein chegou a avisar uma de suas interlocutoras sobre sua iminente prisão, ocorrida em 30 de junho de 2008, quando se declarou culpado de aliciar menores para prostituição.

A BBC News Brasil já havia exposto que um parceiro de Epstein manifestou interesse em adquirir uma revista de moda no Brasil, visando facilitar o acesso a garotas, incluindo menores. Uma vítima confirmou a presença de diversas brasileiras na mansão do bilionário.

MPF em Natal: Investigação de Aliciamento

O escândalo ganhou uma dimensão regional com a abertura de uma investigação pelo Ministério Público Federal (MPF) em Natal, no Rio Grande do Norte. O procurador-chefe Gilberto Barroso de Carvalho Júnior recebeu informações sobre um suposto aliciamento e envio de uma mulher residente nos arredores de Natal/RN para encontros sexuais com Epstein nos EUA.

Mensagens de 2011, obtidas pela BBC News Brasil, mostram o interesse de Epstein em uma brasileira de Natal. Os diálogos detalham a organização para a emissão de passaporte e planos para levá-la aos EUA, com Epstein pedindo explicitamente fotos em trajes de banho e lingerie. O caso foi prontamente encaminhado à Unidade Nacional de Enfrentamento ao Tráfico Internacional de Pessoas e ao Contrabando de Imigrantes.

A Teia de Dependência e Pedidos

Os arquivos revelam um padrão de dependência financeira. Uma das brasileiras, que chegou a chamar Epstein de ‘patrão’, pedia informações sobre investimentos e ajuda para amigas. Outra modelo, em 2012, expressava gratidão e carinho, enquanto recebia dinheiro e convites para a ‘ilha’ particular de Epstein, pedindo inclusive ‘adiantamentos’ para ajudar seu namorado.

Entre 2009 e 2013, uma brasileira manteve uma relação próxima, solicitando recursos para cirurgias estéticas (como implante de silicone), celulares e serviços de beleza para si e sua mãe. Essa mesma mulher foi a ponte para a apresentação da jovem de Natal, descrevendo-a como alguém que ‘não falava o idioma, nunca havia viajado e vinha de uma família simples’, e garantindo que Epstein iria ‘adorá-la’. Em resposta, Epstein exigiu mais fotos ‘de lingerie ou biquíni’.

As revelações também incluem a menção de Jean-Luc Brunel, ex-agente de modelos e parceiro de Epstein, que visitou Natal em 2010. Brunel, acusado de assédio sexual e estupro, foi encontrado morto na prisão em Paris em 2022.

Em outras ocasiões, Epstein demonstrava a natureza transacional de suas relações, cobrando reciprocidade. A uma modelo endividada que pedia ajuda em 2010, ele escreveu: ‘Seria bom se, de vez em quando, você desse algo em troca ou oferecesse algo’. A mulher, por sua vez, sugeria que ele era ‘muito exigente’ para que ela conseguisse apresentar outras garotas.

As novas informações consolidam a imagem de Jeffrey Epstein como um predador que usava sua fortuna para construir uma rede de influências e exploração, com ramificações que atingiram o Brasil e agora são alvo de investigação do MPF.

Da redação do Movimento PB.

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