EUA barra carros elétricos chineses em sua fronteira com o Canadá

Veículos elétricos fabricados na China e destinados ao mercado canadense enfrentarão uma barreira intransponível na fronteira com os Estados Unidos, de acordo com declarações do embaixador americano no Canadá, Pete Hoekstra. A afirmação surge em um contexto de crescente tensão comercial e geopolítica entre Washington e Pequim, e sinaliza o desconforto dos EUA com acordos que estreitam laços entre o Canadá e a China.
Acordo Canadá-China sob escrutínio
O cenário se complicou após um acordo firmado no início do ano, no qual o Canadá concordou em permitir a entrada de até 49.000 veículos elétricos montados na China com tarifas reduzidas. Anteriormente, o país norte-americano impunha uma tarifa de 100% sobre tais importações. A negociação, que incluiu a redução de tarifas chinesas sobre produtos agrícolas canadenses, foi selada em janeiro, durante uma viagem do primeiro-ministro Mark Carney a Pequim, onde se reuniu com o líder chinês Xi Jinping.
A CEO da General Motors, Mary Barra, já havia expressado preocupação, alertando que o pacto Canadá-China poderia ameaçar a indústria automotiva na América do Norte. As declarações de Hoekstra reforçam essa apreensão, indicando que os veículos elétricos chineses, mesmo que legalmente importados para o Canadá, não terão acesso aos pontos de entrada dos EUA.
Preocupações com dados e segurança
Hoekstra justificou a medida com preocupações de segurança e privacidade. “Esse carro circulando da China é um grande consumidor de dados e informações. E está consumindo e obtendo informações e, às vezes, enviará informações”, declarou o embaixador em entrevista ao veículo de notícias Rebel News, enfatizando que a entrada desses veículos nos EUA “não vai acontecer”.
Embora as declarações de Hoekstra não representem, formalmente, a política oficial da Casa Branca, que ainda não emitiu uma proibição específica, seus comentários são um forte indicativo da postura americana. A administração dos EUA pretende revisar o tratado comercial existente entre EUA, México e Canadá (USMCA) nos próximos meses, e a incerteza gerada por esse pacto comercial lança uma sombra sobre as perspectivas econômicas canadenses.
Representantes do governo canadense não comentaram oficialmente a declaração do embaixador americano até o fechamento desta reportagem.
