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EUA rotulam facções brasileiras como terroristas

EUA rotulam facções brasileiras como terroristas
EUA rotulam facções brasileiras como terroristas

O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (28) a designação de duas das maiores facções criminosas do Brasil, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas estrangeiras. A medida, que entra em vigor em 5 de junho, é vista por analistas como uma jogada política com potencial impacto nas eleições presidenciais brasileiras de outubro, onde o tema da segurança pública tem sido central.

Tensões políticas e eleitorais

O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca a reeleição, já manifestou anteriormente sua oposição a tais rotulações, considerando-as uma interferência externa que poderia favorecer seu principal rival, o Senador Flávio Bolsonaro. A pressão pela designação veio de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, que acusam o governo Lula de ineficácia no combate ao crime organizado.

Em nota, o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que o PCC e o CV estão entre as organizações criminosas mais violentas do Brasil, com milhares de membros e redes ilícitas que se estendem para além das fronteiras brasileiras. “A ação de hoje tomada pelo Departamento de Estado demonstra ainda mais o compromisso inabalável da Administração Trump em desmantelar cartéis e organizações criminosas em nossa região e garantir a segurança do povo americano”, declarou Rubio.

Reação brasileira e contexto

Celso Amorim, assessor especial de Lula para assuntos estrangeiros, comentou o anúncio: “A segurança pública é um tema chave para o desenvolvimento socioeconômico. O crime organizado é um mal que deve ser combatido. A cooperação internacional é bem-vinda, especialmente em matéria de lavagem de dinheiro e comércio de armas. (Mas) o pretexto para intervenção é inaceitável”.

A segurança pública emerge como um ponto crucial no debate eleitoral. Enquanto isso, a polícia federal brasileira tem intensificado suas operações. Em agosto do ano passado, uma megaoperação desmantelou parte da rede de lavagem de dinheiro do PCC, com empresas ligadas à facção movimentando pelo menos R$ 6 bilhões em anos recentes.

Análise de especialistas

Analistas como Thomas Traumann sugerem que a decisão americana visa interferir nas eleições brasileiras, atendendo a um pedido de Flávio Bolsonaro durante sua recente visita a Washington. Segundo Traumann, a jogada pode ser uma tentativa de impulsionar a campanha de Bolsonaro, que tem enfrentado questionamentos sobre seus negócios com um banqueiro investigado.

A estratégia de rotular cartéis latino-americanos como organizações terroristas tem sido empregada pela administração Trump como parte de uma abordagem mais agressiva contra o narcotráfico no Hemisfério Ocidental, incluindo operações militares e ataques contra o que chamam de “narcoterroristas”. A designação oficial se torna efetiva em 5 de junho, quando os grupos passarão a ser referidos como terroristas globais especialmente designados.

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